Cá entre nós, IPOs chamam a atenção de qualquer investidor. Quando uma ação estreia com uma valorização forte já no primeiro dia, o pensamento é quase automático: “se eu tivesse entrado na oferta, já teria vendido com lucro”. É esse tipo de oportunidade que o flipper busca.
Em resumo, o flipper é o investidor que participa de IPOs ou follow-ons com a intenção de vender as ações pouco tempo depois da estreia.
A estratégia é capturar o movimento inicial de preços, aproveitando o desequilíbrio entre oferta e demanda que costuma surgir logo após a abertura de capital.
O problema é que esse movimento não é garantido. Alguns IPOs caem nos primeiros dias, gerando prejuízo. Outros até sobem, mas têm pouca liquidez, o que pode prender o investidor em uma posição indesejada.
Por isso, antes de tentar operar como flipper, você precisa entender como essa estratégia funciona, quando faz sentido, quais riscos ela envolve e quais armadilhas evitar.
É exatamente isso que vamos explicar a seguir. Confira!
O que é flipper?
Flipper é o investidor que compra ações durante ofertas públicas (IPOs ou follow-ons) e as vende no primeiro pregão de negociação na bolsa.
O termo vem do inglês “to flip”, que significa “virar” ou “girar rapidamente”.
A operação completa geralmente apenas por alguns dias ou até horas, seguindo três etapas:
- reservar ações durante o período de captação;
- esperar a estreia na bolsa;
- vender assim que a ação se valoriza ou surge um ponto de saída estratégico.
Diferente do investidor tradicional, que analisa fundamentos e pensa no longo prazo, o flipper foca apenas no movimento de preço de curtíssimo prazo, causado pela demanda concentrada da estreia.
Origem do termo
O termo flipper surgiu nos mercados americanos para descrever investidores que “viravam” posições rapidamente em IPOs quentes.
A prática se popularizou durante o “boom” de tecnologia nos anos 1990, quando IPOs de empresas pontocom valorizavam 50%, 100% ou mais no primeiro dia.
No Brasil, o termo foi adotado diretamente do inglês. Alguns tentaram abrasileirar para “flipagem” ou “flipador”, mas a indústria financeira mantém “flipper” como termo padrão.
A estratégia ganhou destaque no mercado brasileiro especialmente entre 2020 e 2021, quando um número recorde de IPOs criou ambiente favorável para operações de flip.
Flipper x investidor de longo prazo
Investidores de longo prazo compram ações porque acreditam no negócio. Eles analisam balanços, projetam crescimento futuro, avaliam a gestão e mantêm a posição por anos, esperando valorização sustentável.
Por outro lado, flippers ignoram completamente esses fundamentos. Para eles, não importa se a empresa é lucrativa, se o setor tem futuro ou se a gestão é competente.
O que conta é se haverá demanda concentrada no primeiro dia capaz de empurrar preço acima do valor de reserva.
Enquanto investidor tradicional se preocupa com valuation e múltiplos, o flipper analisa volume de oferta, força do setor no momento e intensidade do marketing pré-IPO.
Dessa forma, são perfis de investidores completamente diferentes operando com objetivos opostos.
Como flippers operam?
Identificação de oportunidades
Os flippers monitoram constantemente o calendário de IPOs e follow-ons anunciados. Eles buscam características específicas que indicam potencial de valorização rápida, incluindo:
- Volume de oferta: IPOs grandes atraem investidores institucionais que movimentam capital significativo. Quanto maior a captação prevista, mais interesse gera e maior probabilidade de a demanda superar a oferta.
- Setor: empresas de tecnologia, fintechs e setores em alta no momento chamam mais atenção. Ou seja, os investidores estão dispostos a pagar mais por empresas percebidas como inovadoras ou disruptivas.
- Qualidade do marketing pré-IPO: se a empresa faz roadshows intensos, gera cobertura de mídia e constrói narrativa forte, o flipper sabe que a expectativa estará elevada no lançamento.
Compra em ofertas públicas (IPOs)
Para participar de uma IPO, o flipper precisa ter conta na corretora que distribui a oferta.
Durante o período de reservas (geralmente uma semana), ele indica a quantidade de ações que deseja comprar e aceita a faixa de preço proposta.
Após o encerramento das reservas, ocorre o processo de bookbuilding, em que o preço final é definido com base na demanda total.
Se a demanda supera a oferta, os investidores recebem apenas uma parcela do que reservaram, devido ao rateio.
O flipper aumenta suas chances de lucro ao reservar o volume máximo permitido. Se o rateio acontecer, pelo menos garante uma quantidade razoável para vender no primeiro dia.
A liquidação acontece em D+2 ou D+3 após o início das negociações. Isso significa que o flipper tecnicamente vende antes mesmo de pagar pelas ações reservadas.
Caso a operação der errado e a ação cair, ele pode até desistir da compra em alguns casos específicos. Porém, não é um direito garantido.
Venda rápida após valorização inicial
Quando a ação estreia, o flipper acompanha o livro de ofertas de perto. Se o papel abre em alta, ele espera o pico de entusiasmo para vender.
O timing é crítico. Vender cedo demais deixa dinheiro na mesa; vender tarde demais significa pegar a queda após a euforia passar.
Os flippers mais experientes usam ordens limitadas em vez de ordens a mercado. Eles definem o preço-alvo baseado no percentual de ganho desejado (5%, 10%, 15%). Assim, a ordem é executada automaticamente quando o lucro é atingido.
Se ação abre em queda, o flipper enfrenta a decisão difícil: realiza prejuízo imediatamente ou mantém a posição esperando recuperação, o que vai contra a filosofia da estratégia.
Horizonte de operação (dias a semanas)
A maioria das operações de flip se encerra no primeiro dia. Isso porque o flipper não quer carregar o risco overnight se já conseguiu um lucro satisfatório.
Em casos em que a ação não valoriza conforme o esperado no primeiro dia, mas mantém momentum positivo, o flipper pode segurar por alguns dias, aguardando o melhor ponto de saída.
Entretanto, raramente o investidor mantém a posição por mais de uma semana. Quanto mais tempo passa, mais a operação se descaracteriza como flip e vira investimento tradicional, com todos os riscos que isso implica.
Onde flippers atuam?
IPOs e follow-ons
IPOs são o campo natural de atuação dos flipers.
Primeiro, porque empresas abrindo capital pela primeira vez geram curiosidade e especulação.
Segundo, porque a falta de histórico de negociação cria incerteza sobre o preço justo, permitindo oscilações maiores.
Além disso, follow-ons (emissões adicionais de ações de empresas já listadas) também atraem flippers. Sobretudo, quando a empresa tem notícias positivas recentes ou o setor está em alta.
No Brasil, ondas de IPOs criam ambientes mais favoráveis para flipagem. Entre 2020 e 2021, por exemplo, o mercado teve mais de 70 ofertas, gerando múltiplas oportunidades.
Em períodos de seca de IPOs, porém, flippers brasileiros ficam sem alternativas para aplicar essa estratégia.
Fundos imobiliários em lançamento
Flippers também atuam em fundos imobiliários (FIIs) que estão lançando novas cotas via ofertas públicas.
FIIs com histórico sólido e boa reputação costumam gerar demanda forte. Assim, o flipper reserva cotas e vende assim que a negociação começa, se o preço valoriza.
A volatilidade, porém, é menor que em IPOs. Ganhos de 3% a 5% são mais comuns, enquanto IPOs bem-sucedidos podem render de 10% a 20%.
Criptomoedas e NFTs
O mercado cripto segue uma dinâmica similar às ofertas públicas.
Os flippers participam de Initial Coin Offerings (ICOs) ou Initial DEX Offerings (IDOs), buscando vender logo após listagem em exchanges.
No caso de NFTs, a flipagem ganhou destaque durante o hype de 2021-2022. Na época, compradores adquiriam NFTs em lançamentos (mint) e revendiam horas depois por múltiplos do preço inicial.
Contudo, esses mercados são ainda mais especulativos e arriscados que IPOs tradicionais, com regulação frágil e manipulação frequente.
Vantagens da estratégia de flipping

Dependendo do conhecimento, perfil e experiência do investidor, a estratégia de flipping pode ser lucrativa por conta de vantagens, como:
Lucros rápidos em ativos com hype
O principal benefício de atuar como flipper é a possibilidade de obter ganhos de dois dígitos percentuais em horas ou poucos dias.
Quando a flipagem funciona, o retorno é expressivo. Para você ter ideia, um lucro de 10% em um dia equivale a 3.650% ao ano se repetido diariamente (o que obviamente não acontece, mas mostra a grande oportunidade de lucro).
Além disso, o flip oferece liquidez e velocidade incomparáveis, sendo uma excelente alternativa para traders que preferem capital girando rapidamente em vez de travado por anos.
Capital não fica travado longo prazo
No investimento tradicional, o capital pode ficar imobilizado por longos períodos até que a tese se concretize.
No flipping, o dinheiro retorna em pouco tempo. Mesmo considerando o prazo de liquidação, o investidor recupera os recursos muito mais rápido do que em estratégias de buy and hold.
Isso permite realocar capital para outras oportunidades ou simplesmente mantê-lo disponível para emergências.
Aproveitamento de ineficiências temporárias
IPOs criam ineficiências de precificação temporárias. Sem histórico de negociação, o preço justo é incerto.
Dessa forma, a euforia inicial pode empurrar a cotação muito acima do razoável por algumas horas ou dias.
Os flippers exploram exatamente essa janela de irracionalidade temporária. Quando o mercado se acalma e a precificação se normaliza, o flipper já saiu com lucro.
Riscos do flipping
A capacidade de lidar com os riscos da operação é o que determina se a estratégia de flipping faz sentido para você. Os principais são:
Dependência de valorização imediata
Se a ação não valoriza no primeiro dia, a estratégia falha.
Diferente do investidor de longo prazo, que pode esperar meses ou anos por uma recuperação, o flipper não tem esse espaço. Manter a posição contradiz a lógica da estratégia e expõe você a riscos não planejados.
Quando a ação estreia em queda, o flipper precisa decidir entre realizar o prejuízo imediatamente ou manter um ativo que não analisou com profundidade.
Custos de transação elevados
Cada operação de compra e venda gera custos, como, por exemplo:
- emolumentos;
- corretagem (se houver);
- impostos.
Em operações que buscam ganhos de 5%, por exemplo, custos de 0,5% a 1% já consomem uma fatia relevante do lucro. Quanto menor o ganho bruto, maior o impacto proporcional desses custos.
Ademais, o imposto de renda sobre ganhos de capital em operações de curtíssimo prazo pode ser de 15% a 20% (se caracterizado como day trade), reduzindo ainda mais o retorno líquido.
Risco de ficar preso em ativo ilíquido
Alguns IPOs sofrem com liquidez baixa após os primeiros dias. Se o flipper não conseguir vender no momento planejado por falta de compradores, ficará preso.
Spreads largos e volume reduzido forçam vendas com desconto ou a manutenção involuntária do ativo até que a liquidez melhore — o que nem sempre acontece.
Tributação menos favorável
Ganhos de capital em operações de curto prazo são tributados em 15% a 20% dependendo da caracterização.
Enquanto investidores de longo prazo podem se beneficiar da isenção em vendas mensais de até R$ 20.000, o flipper dificilmente permanece abaixo desse limite, pagando imposto em praticamente todas as operações.
Por isso, a tributação precisa entrar no cálculo do retorno real da estratégia.
Estratégias mais usadas por flippers

Existem algumas práticas recorrentes entre flippers que ajudam a aumentar a probabilidade de bons resultados. As principais são:
Análise de demanda x oferta
O flipper profissional começa avaliando a relação entre a demanda esperada e o volume de ações ofertadas.
Ofertas menores, por exemplo abaixo de R$ 500 milhões, combinadas com empresas de forte apelo, tendem a gerar rateio e pressão compradora no início das negociações. A demanda concentrada costuma empurrar o preço acima do valor da oferta.
Já IPOs muito grandes, de vários bilhões de reais, exigem muito mais capital para sustentar a alta inicial, mesmo quando a empresa é conhecida.
A composição dos investidores também importa. Ofertas com maior participação de investidores institucionais costumam ter menor pressão vendedora imediata, já que esses agentes tendem a manter posição no curto prazo.
Timing de entrada e saída
A entrada no flip acontece durante o período de reservas. Não há timing estratégico aqui — ou você participa ou não.
A saída, por outro lado, exige leitura de mercado em tempo real. Para isso, flippers experientes observam:
- volume de negociação nas primeiras horas;
- velocidade de consumo das ofertas de venda;
- comportamento do book (ofertas de compra x vendas);
- notícias e sentimento nas redes sociais especializadas.
O objetivo é capturar o primeiro movimento de alta. Como acertar o topo é improvável, o mais comum é definir uma meta de ganho — como 5%, 10% ou 15% — e usar ordens limitadas quando o preço-alvo é atingido. Isso reduz o peso emocional da decisão.
Gestão de risco em operações rápidas
O maior risco do flipping é a ação não valorizar ou abrir em queda.
Para limitar esse impacto, flippers costumam alocar apenas 5% a 10% do capital total em cada operação. Assim, mesmo que a operação dê errado, não vai comprometer o portfólio como um todo.
Além disso, o uso de um stop loss — mental ou automático — ajuda a evitar perdas maiores.
Se a ação cai 5% a 7% abaixo do preço da oferta, o flipper aceita o prejuízo em vez de se tornar um investidor de longo prazo por acidente.
Diversificação de flips
Por fim, flippers profissionais não dependem de um único IPO. Eles participam de múltiplas ofertas ao longo do ano.
Concentrar todo o capital em um único flip transforma a estratégia em aposta. Ao diversificar, você reduz a dependência de qualquer resultado individual.
Se 7 em 10 operações geram ganhos de 10% e 3 resultam em perdas de 5%, o saldo ainda tende a ser positivo. Nesse contexto, operar com critérios consistentes faz a estatística trabalhar a seu favor.
Impacto dos flippers no mercado
As operações de flip tem impactos considerados negativos ao mercado financeiro. Entenda os motivos:
Aumento artificial de demanda
Primeiramente, os flippers inflam demanda em IPO, uma vez que reservam ações sem intenção de manter.
Isso pode levar a empresa e coordenadores da oferta a superestimar o interesse genuíno de investidores de longo prazo.
Resultado: a precificação inicial pode ser empurrada para o topo da faixa ou até acima dela, criando risco de queda posterior quando os flippers começam a vender.
Volatilidade em primeiros dias de negociação
O volume concentrado de vendas por flippers nas primeiras horas causa oscilações bruscas.
A ação pode abrir 15% acima do preço de oferta, por exemplo. Assim, flippers vão vender em massa, fazendo o preço despencar 10% em minutos e depois se estabilizando.
Essa volatilidade assusta investidores de longo prazo e prejudica a formação ordenada de preço.
A propósito, algumas empresas reclamam que a flipagem gera instabilidade desnecessária que não reflete fundamentos ou perspectivas reais do negócio.
Percepção negativa de outros investidores
Investidores institucionais e de longo prazo veem flippers como especuladores prejudiciais.
Fundos que realmente analisaram a empresa e querem mantê-la em carteira competem com flippers por ações durante a oferta, apenas para ver esses mesmos flippers despejando tudo no primeiro dia.
Essa percepção negativa levou alguns mercados a criar mecanismos de restrição como lock-up periods (períodos de carência para venda).
Flipagem é legal?
Provavelmente, você está se perguntando: “se os impactos do flipping são negativos no mercado, esse tipo de operação é legal?”. A resposta é: sim, mas com algumas ressalvas importantes. Entenda:
Legalidade da prática
A flipagem é legal no Brasil. Não existe lei ou regulação que proíba a compra e venda rápida de ações adquiridas em IPOs ou follow-ons.
A CVM também não classifica essa estratégia como prática abusiva ou manipulação de mercado, desde que o investidor atue de forma regular e transparente.
Assim, pessoas físicas e jurídicas podem operar como flippers sem violar as regras do mercado.
Diferença entre flip e manipulação
Manipulação de mercado envolve práticas ilegais, como:
- envio de ordens falsas para induzir preço;
- divulgação de informações enganosas;
- coordenação entre participantes para criar demanda artificial.
A flipagem, por si só, não se enquadra nessas condutas. Reservar ações em um IPO e vendê-las no primeiro dia com base na expectativa de valorização é uma estratégia legítima.
O problema surge se investidores se organizam para inflar artificialmente o preço ou enganar o mercado antes de vender. Nesse caso, a prática deixa de ser flipagem e passa a configurar manipulação, o que é ilegal.
Regulação e limites
Em alguns mercados, existem restrições contratuais à flipagem. Nos Estados Unidos, é comum que coordenadores de IPO imponham períodos de lock-up de 30, 60 ou 90 dias, impedindo a venda imediata das ações.
No Brasil, esse mecanismo também existe, mas de forma voluntária. Alguns IPOs oferecem prioridade na alocação para investidores que aceitam um lock-up de 45 dias ou mais.
Quem não aceita o lock-up pode participar da oferta, mas tende a receber menos ações no rateio. Na prática, isso funciona como um desincentivo indireto à flipagem, sem torná-la ilegal.
Como identificar comportamento flipper?
Se você já investe em IPOs, mas não como flipper, identificar a atuação desse perfil ajuda você a evitar compras no auge da euforia. Há alguns sinais comuns em IPOs dominados por esse tipo de operação, como:
Volume anormal nos primeiros dias
Um dos sinais mais claros é o volume exagerado logo na estreia.
Quando uma ação movimenta cifras muito altas no primeiro pregão e, nos dias seguintes, o volume despenca, isso indica que boa parte da negociação inicial veio de flippers realizando lucro.
Esse padrão sugere que a pressão compradora era temporária. Assim, investidores mais cautelosos preferem esperar a normalização do volume antes de entrar.
Queda após euforia inicial
Outro comportamento típico é a sequência: abertura em alta, pico nas primeiras horas e queda gradual ao longo do dia ou nos pregões seguintes.
Esse movimento ocorre quando flippers aproveitam o entusiasmo inicial para vender. Quem compra próximo do topo costuma estar pagando um ágio elevado para assumir a posição de quem está saindo.
Padrão de preço característico
IPOs com forte presença de flippers tendem a apresentar alta volatilidade no primeiro dia e desempenho fraco ou lateral nas semanas seguintes, enquanto o mercado busca um preço mais racional.
Empresas de qualidade podem se recuperar com o tempo. Já negócios frágeis muitas vezes nunca voltam ao patamar da estreia.
Reconhecer esse padrão ajuda você a decidir melhor o timing de entrada: não no hype, mas depois que a poeira baixa.
Perguntas frequentes
Flipper funciona para investidor individual?
Pode funcionar, mas é difícil. O investidor individual compete com profissionais que têm mais acesso a informações e conseguem reservar volumes maiores. Além disso, IPOs disputados costumam ter forte rateio, reduzindo o ganho absoluto mesmo quando o lucro percentual é bom. Por isso, para pessoa física com pouco capital, tende a ser apenas uma estratégia ocasional.
Qual capital mínimo para fazer flip?
Tecnicamente não há mínimo. Você pode reservar R$ 1.000 em IPO se a oferta permitir. Porém, para que a estratégia gere impacto real, o recomendado é operar com pelo menos R$ 10 mil a R$ 20 mil por IPO. Com valores menores, flips bem-sucedidos geram ganhos modestos que não compensam a dedicação envolvida.
Vale a pena ser flipper no Brasil?
Depende do momento de mercado e do seu perfil. Em ciclos com muitos IPOs surgem mais oportunidades; em fases fracas, elas praticamente desaparecem. Além disso, é uma estratégia arriscada e de curto prazo, pouco adequada para quem busca renda passiva. Funciona melhor como complemento para investidores mais ativos e tolerantes a perdas.
Conclusão
Em resumo, o flipper tenta capturar lucros rápidos comprando ações ainda no IPO e vendendo logo na estreia.
No entanto, essa é uma estratégia que exige capital, agilidade e tolerância a perdas. O investidor precisa aceitar que nem toda oferta vai valorizar, que o rateio reduz ganhos e que prejuízos fazem parte do jogo.
Além disso, a flipagem depende totalmente do momento do mercado. Em ciclos de muitas ofertas surgem oportunidades; em períodos de seca, elas praticamente desaparecem.
Para quem busca renda e construção patrimonial no longo prazo, a flipagem costuma atrapalhar mais do que ajudar. Para perfis mais especulativos, pode ser apenas uma ferramenta tática, mas nunca a base da estratégia.
O importante é tratar IPO flip como o que ele realmente é: uma aposta de curto prazo com risco elevado, em que preservar capital e ter disciplina vale mais do que perseguir ganhos rápidos.
Leia também: o que é trading e como funciona na prática!