Ações e FIIs dominam a carteira da maioria dos investidores brasileiros. Mas concentrar a renda variável nesses dois ativos reduz a diversificação da sua carteira. Para ampliar a exposição e diluir riscos, uma alternativa é investir em ETFs.
Eles reúnem diversas empresas em um único ativo, de setores diferentes ou até de mercados internacionais.
Assim, você aumenta a diversificação significativamente e de forma imediata: além dos ativos que já possui no portfólio, passa a ficar exposto a dezenas ou centenas de empresas ao mesmo tempo.
Apenas com uma única compra você traz segurança aos seus investimentos e, de quebra, aumenta o potencial de ganho.
Logo abaixo, vamos te mostrar como os ETFs funcionam, as vantagens e custos desse tipo de ativo. Com isso, você pode adicioná-lo no seu portfólio o quanto antes, caso faça sentido.
O que são ETFs?
Em resumo, ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de investimento negociados em bolsa.
Eles reúnem um conjunto de ativos e são geridos por um profissional. Mas, diferentemente dos fundos tradicionais, os ETFs têm duas características que os tornam especiais.
A primeira é que eles são atrelados a um índice de referência.
Isso significa que o ETF acompanha de perto o desempenho de um indicador da bolsa.
Por exemplo, na B3 existem ETFs que seguem o Ibovespa, enquanto nos Estados Unidos há ETFs que seguem o S&P 500.
Com apenas uma cota do fundo, você passa a ter exposição a toda a carteira do índice de forma simples e prática.
O gestor do ETF faz os ajustes necessários sempre que o índice muda, mantendo o fundo alinhado ao indicador. Por isso, dizemos que o ETF é passivo: ele não busca superar o mercado, apenas replicar o desempenho do índice.
A segunda característica é a facilidade de negociação.
ETFs são comprados e vendidos em bolsa, como ações, e podem ser negociados a qualquer momento durante o pregão, dependendo apenas da liquidez do fundo.
Já os fundos tradicionais nem sempre aceitam novos aportes imediatamente e podem exigir prazo para resgate.
Além disso, investir em ETFs geralmente exige valores menores, tornando-os mais acessíveis para quem quer começar na renda variável.
Tipos de ETF
O mercado oferece uma enorme variedade de ETFs, principalmente no exterior.
Existem ETFs que replicam bolsas de valores de um país, como o Ibovespa, S&P 500, Nasdaq ou bolsas europeias.
Mas não é só isso: há fundos de índice de renda fixa, commodities, moedas, criptomoedas e de setores específicos, como tecnologia, financeiro ou empresas que pagam dividendos.
Hoje, você pode escolher ETFs que acompanham:
- índices amplos de mercado;
- setores específicos;
- classes de ativos, como ações, renda fixa, imóveis, commodities ou criptos;
- estratégias fatoriais;
- entre outros tipos especializados.
Com tantas opções, fica fácil montar uma carteira diversificada usando apenas alguns ETFs.
Como funciona a rentabilidade de ETFs?
Como outros investimentos em renda variável, os fundos de índice não têm rentabilidade definida, ao contrário da renda fixa.
O desempenho do ETF acompanha exatamente o índice que ele replica. Por exemplo, se a bolsa americana subir 5% em um ano, o ETF que segue esse índice terá rentabilidade próxima de 5%.
O resultado não é exato devido à taxa de administração cobrada pelo fundo. Na sessão de vantagens, vamos detalhar melhor os custos envolvidos.
Quais são as vantagens e desvantagens de ETFs?
Vantagens
Os ETFs oferecem diversas vantagens para o investidor. Entre as principais, destacamos:
- Simples: com uma única operação, você investe em várias empresas ou mercados, sem precisar montar cada posição individualmente.
- Diversificação: basta uma cota para ter exposição a dezenas ou centenas de empresas, reduzindo riscos.
- Baixo custo: a taxa de administração é bem menor que a de fundos ativos. Enquanto muitos fundos tradicionais cobram 2% ao ano + 20% sobre o lucro, ETFs ficam abaixo de 0,30% ao ano. Nos EUA, há fundos de índice que cobram apenas 0,03%.
- Transparência: a composição do fundo é pública e atualizada regularmente, então você sabe exatamente no que está investindo.
Desvantagens
Entretanto, como qualquer outro produto de investimento, ETFs possuem algumas desvantagens:
- Tributação: no Brasil, todo investimento em ETF exige pagamento de impostos. Nos EUA, a flexibilidade é maior.
- Menor flexibilidade: se você gosta de escolher cada ativo da carteira, o ETF pode não ser ideal, já que ele traz um pacote de ações predefinido.
- Dividendos: nem todos os ETFs brasileiros pagam dividendos. Nos EUA, isso é mais comum.
ETFs no Brasil x ETFs nos Estados Unidos: quais são as diferenças?
Embora o conceito de ETF seja o mesmo em qualquer mercado, existem diferenças importantes entre investir em ETFs no Brasil e nos Estados Unidos. Essas diferenças afetam diversificação, liquidez, variedade de opções e tributação.
Investindo em ETFs no Brasil
No mercado brasileiro, a oferta de ETFs já é significativa, com opções que replicam índices nacionais e internacionais. A lista completa está disponível no site da B3.
Alguns ETFs brasileiros podem ter liquidez menor, o que torna mais difícil comprar ou vender grandes volumes rapidamente.
Quanto à tributação, os fundos de índice no Brasil exigem o pagamento de imposto sobre ganho de capital nas vendas lucrativas (15% em operações normais e 20% em day trade), sem isenção de até R$ 20 mil mensais, como ocorre com ações.
Investindo em ETFs nos Estados Unidos
O mercado de ETFs nos EUA é muito maior e mais maduro, com milhares de opções e enorme liquidez diária. Isso torna mais fácil comprar e vender cotas sem grandes impactos de preço.
Nos EUA, há ETFs para praticamente qualquer estratégia:
- índices amplos;
- setores específicos;
- fatores como value ou growth;
- renda fixa;
- imóveis;
- commodities.
Além disso, muitos fundos de índice americanos pagam dividendos de forma regular, enquanto nem todos os ETFs brasileiros distribuem proventos.
Quanto à tributação, investidores brasileiros que compram ETFs no exterior enfrentam impostos tanto no país de origem quanto no Brasil, incluindo imposto sobre ganho de capital e — no caso de dividendos — retenção na fonte no exterior, com possíveis compensações no Brasil.
Embora o conceito de ETF seja o mesmo em qualquer mercado, existem diferenças relevantes entre investir em ETFs no Brasil e nos Estados Unidos. Essas diferenças afetam custos, diversificação, liquidez e até o papel do ETF dentro da carteira.
Vale a pena ter ETFs na sua carteira?
Por fim, ETFs são instrumentos versáteis, eficientes e acessíveis, que se tornaram parte relevante do mercado financeiro moderno.
Eles oferecem diversificação imediata, custos mais baixos e simplicidade na construção de carteiras, sem abrir mão de transparência e liquidez.
Assim, são uma forma prática e eficiente de investir em renda variável, desde que sejam escolhidos com critério e alinhados aos objetivos do investidor.
Por outro lado, é essencial considerar as diferenças entre o mercado brasileiro e o americano, já que tributação, liquidez, variedade de produtos e pagamento de dividendos podem alterar significativamente os resultados no longo prazo.
Com isso, você pode explorar as vantagens de cada mercado para aumentar não só a segurança, mas também a rentabilidade dos seus investimentos.