Drawdown: o que é, importância e como calcular

Dois investimentos podem ter o mesmo retorno final e níveis de risco diferentes. Isso não é novidade. A questão é como medir essa diferença de forma objetiva. O drawdown é uma das principais métricas para essa análise.

Ao longo do tempo, um ativo pode registrar quedas mais profundas do que outro até alcançar o mesmo retorno final. Isso altera diretamente o nível de risco da estratégia.

O drawdown captura esse movimento. A métrica indica a maior queda de um ativo desde seu valor máximo até o menor nível antes de voltar a subir.

Dessa forma, considerar o drawdown permite dimensionar o risco, ajustar expectativas e evitar tomar decisões baseadas apenas no retorno final.

A seguir, vamos te mostrar quais são os tipos de drawdown, como calcular a métrica e as vantagens de utilizá-la na sua análise de investimento. Confira!

O que é drawdown?

O drawdown mede quanto um investimento caiu desde seu valor máximo até o menor nível antes de voltar a subir. Ele mostra o tamanho das quedas ao longo do tempo para revelar o risco real do ativo.

Na prática, sempre que um ativo atinge um novo pico e passa a cair, o drawdown registra essa variação em percentual.

Quando o preço se recupera e supera o nível anterior, o indicador volta a zero e o ciclo recomeça.

O principal diferencial do drawdown é tornar o risco algo concreto. Em vez de projeções, a métrica mostra perdas que já aconteceram com base no histórico do ativo ou da carteira.

Com isso, você consegue avaliar qual foi a maior queda já enfrentada e entender melhor o nível de risco envolvido.

O drawdown não antecipa movimentos futuros, mas oferece uma referência clara sobre o comportamento do ativo em cenários adversos.

Quais são os tipos de drawdown?

O drawdown pode ser analisado de formas diferentes, dependendo do seu objetivo ao utilizá-lo. Conheça os principais tipos:

Drawdown absoluto

O drawdown absoluto mede a queda de um ativo em relação ao valor inicial do investimento, e não ao pico mais recente.

Na prática, ele responde a uma pergunta direta: em algum momento, o investimento ficou abaixo do valor aplicado?

Esse tipo é útil para avaliar se houve perda em relação ao capital original, sem considerar ganhos intermediários ao longo do caminho.

Drawdown máximo

O drawdown máximo, ou MDD, é o tipo mais utilizado. Ele mede a maior queda percentual entre um pico e o ponto mais baixo antes da recuperação, dentro de um período.

Em termos simples, ele mostra qual foi a pior perda enfrentada pelo investimento.

Se um fundo tem MDD de 40%, isso significa que, em algum momento, o capital caiu 40% antes de voltar a subir.

Por isso, o MDD é uma das principais referências para avaliar o risco histórico de um ativo. Ele mostra, com base em dados reais, qual foi o pior cenário já enfrentado.

Drawdown relativo

O drawdown relativo mede a queda de um ativo em comparação com um índice de referência, como o Ibovespa.

Em vez de olhar apenas para a perda isolada, ele coloca o desempenho em contexto.

Por exemplo, um fundo pode cair 20%. Mas, se o mercado caiu 30% no mesmo período, o resultado relativo foi melhor.

Esse tipo de análise evita conclusões distorcidas e ajuda você a avaliar o desempenho com mais critério.

Como calcular o drawdown?

Investidor calculando drawdown para filtrar ativos que vai investir e tomar decisões melhores naqueles que já está posicionado

Calcular o drawdown não é nenhum bicho de sete cabeças. Não requer ferramentas complexas nem nada do tipo. Basta aplicar a fórmula e interpretar o resultado corretamente. Veja como fazer isso:

Fórmula do drawdown

O cálculo segue a fórmula:

(Valor do pico – Valor do vale) / Valor do pico x 100

O resultado é um percentual que indica o tamanho da queda em relação ao ponto mais alto do ativo. Quanto maior o número, maior foi a perda no período.

Exemplo:

Considere um fundo cuja cota atingiu R$ 120 e, depois, caiu até R$ 84 antes de se recuperar.

Aplicando a fórmula:

(120 – 84) / 120 x 100 = 30%

O drawdown foi de 30%. Isso significa que, do pico ao vale, o patrimônio caiu 30% antes da recuperação.

Esse cálculo permite identificar a maior queda, quando ela ocorreu e quanto tempo levou para ser revertida. Ou seja, três pontos centrais para avaliar o risco.

Como interpretar o resultado?

O drawdown sempre deve ser analisado em contexto.

Uma queda de 15% pode ser aceitável em renda variável. Em renda fixa conservadora, já seria um sinal de alerta.

Como referência geral:

  • 0% a 10%: baixo risco
  • 10% a 20%: risco moderado
  • 20% a 30%: risco elevado
  • acima de 30%: alto risco

Além da magnitude, considere o tempo de recuperação. Uma queda de 20% revertida em poucos meses tem um impacto muito diferente de uma que leva anos para ser recuperada.

Por que o drawdown é uma métrica essencial na gestão de risco?

Diferente de outros indicadores que mostram como o ativo varia, o drawdown mostra até onde ele pode cair, oferecendo uma visão mais clara do risco do investimento.

Comparação entre ativos

Antes de investir, o drawdown permite comparar o risco entre ativos de forma objetiva.

Diante de duas opções com retornos semelhantes, a diferença passa a ser o comportamento nas quedas.

Assim, o indicador separa estratégias mais estáveis daquelas que exigem maior tolerância a perdas.

Decisão de permanência na posição

Como o drawdown mostra o tipo de queda que você pode enfrentar ao longo do investimento, ele impacta diretamente a forma como você decide manter ou não uma posição.

Na prática, a métrica impede decisões impulsivas. Estratégias que passam por quedas profundas exigem capacidade de manter a posição mesmo com perdas relevantes no curto prazo.

Contudo, sem essa referência, é comum subestimar o risco e abandonar a estratégia no pior momento, transformando uma perda temporária em prejuízo definitivo.

Por isso, o drawdown funciona como um filtro: ele mostra se o nível de oscilação de um ativo é compatível com a sua tolerância a risco.

Tempo de recuperação

O tamanho da queda define o esforço necessário para recuperar o capital.

Quando um ativo cai, ele passa a crescer sobre uma base menor. Por isso, a recuperação sempre exige um retorno maior do que a perda.

Uma queda de 20% exige alta de 25% para voltar ao ponto inicial. Se a queda for de 50%, a recuperação necessária é de 100%.

Quanto maior o drawdown, maior o retorno exigido e, na maioria dos casos, maior o tempo para recuperar o valor investido  — o que reduz a eficiência do investimento ao longo do tempo.

Como o drawdown aparece em cada tipo de investimento?

O drawdown varia conforme o tipo de ativo e a forma como o capital está alocado. Veja alguns exemplos:

Ações e fundos de ações

Na renda variável, quedas profundas fazem parte do jogo.

Oscilações intensas são naturais e períodos de forte desvalorização podem ocorrer mesmo em ações de qualidade.

Por isso, o drawdown histórico é uma referência essencial antes de investir.

No caso de fundos de ações, essa informação aparece na lâmina e mostra o pior momento já enfrentado pela estratégia. Com isso, você sabe o nível de risco que pode ter que suportar.

Fundos multimercado

Fundos multimercado tendem a apresentar drawdowns mais controlados, mas não estão livres de quedas relevantes.

Aqui, o ponto central não é apenas o drawdown máximo, mas a consistência.

Observe com que frequência o fundo entra em queda e quanto tempo leva para se recuperar.

Isso mostra se a estratégia mantém o risco sob controle ou se passa por ciclos frequentes de perda.

Renda fixa

Na renda fixa, o drawdown costuma ser menor, mas não é inexistente.

Títulos marcados a mercado podem sofrer quedas relevantes em períodos de alta de juros ou estresse econômico.

Dessa forma, mesmo investimentos considerados conservadores devem ser avaliados pelo histórico de oscilação, principalmente em prazos mais longos.

Como reduzir o drawdown da sua carteira?

Investidor buscando formas de diminuir risco de quedas na carteira analisando o histórico de oscilação de ações

Reduzir o drawdown não significa eliminar o risco, mas controlar o tamanho das perdas ao longo do tempo.

Algumas estratégias ajudam a suavizar as quedas sem comprometer o potencial de retorno:

Diversificação entre classes de ativos

A diversificação reduz o impacto das quedas ao distribuir o capital entre ativos com comportamentos diferentes.

Uma carteira que combina ações, renda fixa e ativos internacionais tende a sofrer menos do que uma carteira concentrada.

Quando uma classe cai, outra pode compensar parte da perda. Assim, o drawdown fica mais controlado.

Gestão de risco e stop loss

Definir limites de perda evita que pequenas quedas se transformem em prejuízos maiores.

O uso disciplinado de stop loss e o acompanhamento constante da carteira ajudam a limitar o impacto de movimentos negativos.

Além disso, o rebalanceamento periódico impede que um único ativo concentre risco excessivo após grandes valorizações.

Alocação alinhada ao seu perfil

O nível de drawdown aceitável depende do seu perfil de risco.

Uma carteira desalinhada tende a gerar decisões impulsivas nos momentos de queda.

Por isso, a alocação deve considerar não apenas o retorno esperado, mas a capacidade de suportar perdas sem sair da estratégia.

Perguntas frequentes

Drawdown é o mesmo que prejuízo?

Não. O prejuízo ocorre quando você vende um ativo abaixo do preço de compra e realiza a perda. O drawdown mede a queda em relação ao pico mais recente, independentemente do ponto de entrada. Isso significa que você pode estar em drawdown e ainda assim no lucro. Trata-se de uma métrica de risco, não de perda realizada.

Onde encontro o drawdown de um fundo de investimento?

O drawdown histórico de um fundo pode ser consultado na lâmina do produto, disponível no site da gestora ou em plataformas de investimento. Para comparar fundos, o ideal é analisar a métrica no mesmo período. Isso evita distorções e permite uma avaliação mais justa entre estratégias diferentes.

Qual é o drawdown máximo aceitável para um investidor conservador?

Para perfis conservadores, o drawdown costuma ficar entre 0% e 10%. Entre 10% e 20%, o risco já é considerado moderado. Acima disso, o investimento passa a exigir maior tolerância a perdas. O ponto central é que o nível de drawdown seja compatível com sua capacidade de suportar quedas sem sair da estratégia.

O drawdown máximo garante que a queda não será maior no futuro?

Não. O drawdown máximo é um dado histórico que mostra a maior queda já registrada até o momento. Ele serve como referência para avaliar o risco do ativo, mas não limita perdas futuras. Em cenários adversos, o drawdown pode superar qualquer nível observado anteriormente.

Como o drawdown se relaciona com a volatilidade?

Drawdown e volatilidade medem risco por ângulos diferentes. O drawdown mostra a maior perda acumulada a partir de um pico, enquanto a volatilidade reflete a frequência e intensidade das oscilações. Um ativo pode oscilar muito sem grandes quedas acumuladas. Usar as duas métricas em conjunto traz uma visão mais completa do risco.

Devo evitar investimentos com drawdown alto?

Não necessariamente. Ativos com maior drawdown podem oferecer retornos mais elevados, mas exigem maior tolerância a perdas. O ponto não é evitar números altos, e sim entender se eles são compatíveis com seu perfil. Investir desalinhado com essa tolerância aumenta o risco de sair no pior momento.

Conclusão

Por fim, o drawdown é um critério fundamental na análise de investimentos, tanto antes de entrar quanto ao longo da posição.

Todo investimento envolve oscilações. O que muda de um ativo para outro é a intensidade das quedas e o tempo necessário para recuperar.

É isso que o drawdown revela ao mostrar, com base no histórico, até onde o investimento já caiu.

Com essa referência, você consegue avaliar se o nível de perda é compatível com o seu perfil e evita decisões impulsivas nos momentos de maior pressão.

Veja também: o que significa e qual a importância do skin in the game!

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