Se o lucro da empresa que você investe ou pretende investir aparece e desaparece rápido, fique atento: pode faltar controladoria.
Em resumo, essa área garante que os números publicados reflitam a realidade operacional. Ela equilibra vendas com recebimentos, custos com desembolsos e investimentos com capital disponível.
Quando funciona bem, gestores tomam decisões com base em dados concretos; quando falha, problemas só aparecem tarde demais.
Para investidores, entender a controladoria é essencial. Ela ajuda a identificar empresas que realmente conhecem seus números e separá-las de operações que só parecem saudáveis no papel.
Por isso, vamos te mostrar a seguir como a controladoria atua na prática e como usar essas informações nas suas análises.
História da controladoria
A controladoria surgiu no início do século XX, nos Estados Unidos, como resposta ao crescimento das empresas e à formação de grandes conglomerados econômicos.
Esse novo cenário exigia instrumentos mais eficientes para lidar com a complexidade das operações e apoiar a gestão e a tomada de decisão.
No Brasil, a área foi incorporada principalmente com a chegada de multinacionais norte-americanas, que trouxeram modelos avançados de gestão e controle.
A princípio, a controladoria estava restrita aos departamentos contábil e financeiro, baseando-se quase que exclusivamente em informações numéricas dessas áreas.
Com o tempo, porém, tornou-se evidente que essa atuação era limitada diante das demandas competitivas e estratégicas do mercado.
Atualmente, a área coordena a gestão econômica da empresa, apoiando decisões com técnicas gerenciais, sistemas de informações contábeis e indicadores integrados.
Assim, funciona como um órgão essencial para a operação e o planejamento estratégico.
Quais são as funções da controladoria?
A controladoria tem como principal objetivo garantir a criação de valor para a empresa e seus acionistas, quando houver.
Ela faz isso apoiando os gestores de diferentes áreas, ajudando-os a alcançar as metas definidas no planejamento organizacional.
De forma resumida, as principais responsabilidades da controladoria incluem:
- Planejamento e orçamento: elaboração de orçamentos, cenários e projeções econômicas e financeiras.
- Gestão econômica: apuração e análise de resultados.
- Apoio aos gestores: fornecimento de informações relevantes para a tomada de decisão.
- Sistema de informação: construção e monitoramento de sistemas que suportem todo o processo de gestão.
O processo de gestão empresarial segue um ciclo contínuo de planejamento, execução e controle. Esse ciclo pode ser dividido em:
- Planejamento estratégico: voltado ao longo prazo.
- Planejamento operacional e programação: direcionados ao curto prazo.
Principais modelos de decisão da controladoria
A controladoria usa modelos de decisão estruturados para resolver problemas de forma consistente e repetível.
O objetivo central é garantir que a empresa atinja suas metas com eficiência.
Esses modelos consideram:
- Recursos organizacionais: humanos, físicos e financeiros;
- Planejamento e controle: diferentes enfoques adotados para gerir as operações;
- Posicionamento estratégico: como a empresa se situa frente às variáveis do mercado e do ambiente externo.
Contudo, quando o modelo de gestão não é bem definido, surgem conflitos, indecisões e decisões desalinhadas aos objetivos da empresa.
Dessa forma, a controladoria deve basear seus modelos em um entendimento profundo do negócio, garantindo escolhas consistentes e alinhadas à estratégia.
Como esses modelos são utilizados?
De fato, o controller precisa desenvolver modelos de controladoria compatíveis com as características da empresa.
Para isso, é essencial conhecer a estrutura organizacional, a missão, os objetivos estratégicos e os processos operacionais.
Ter uma visão sistêmica permite criar ferramentas e indicadores de controle alinhados à realidade da companhia.
Por outro lado, informações incorretas ou mal interpretadas podem levar a decisões equivocadas, gerar retrabalho, aumentar custos e comprometer a credibilidade da controladoria.
Exemplos práticos de aplicação
A controladoria atua diretamente na resolução de problemas reais do dia a dia da empresa. Alguns exemplos práticos:
- Queda de margem em um produto: a área identifica um aumento de 15% no custo logístico em três meses. Com base na análise, propõe centralizar envios e renegociar contratos de frete, reduzindo custos e recuperando a margem.
- Estouro de orçamento na manutenção: a análise histórica mostra picos sazonais de gastos. A controladoria sugere manutenção preventiva e replanejamento das compras, evitando custos emergenciais.
- Fluxo de caixa apertado: a equipe projeta o fluxo de caixa, prioriza pagamentos, renegocia prazos com fornecedores e implementa políticas de cobrança, melhorando imediatamente a liquidez.
Controladoria como uma ferramenta mais ampla de gestão
Em mercados mais avançados, a controladoria funciona como um verdadeiro banco de dados, integrando informações financeiras e não financeiras.
Esses dados dão suporte às decisões da gestão e ajudam a empresa a se adaptar a mudanças e tendências do mercado.
Dois conceitos são fundamentais nesse contexto:
- Eficiência técnica ou tecnológica: produzir a mesma quantidade de produtos usando menos recursos físicos.
- Eficiência econômica: alcançar a mesma produção com menor custo, avaliando diferentes processos produtivos.
Assim, empresas podem buscar altos níveis de produção com custos reduzidos, adotando estratégias que também minimizem impactos ambientais e promovam resultados sustentáveis.
Estrutura essencial de uma controladoria
Para cumprir sua missão, a controladoria demanda:
- Ferramentas: sistemas ERP, Excel avançado, soluções de Business Intelligence (BI) e softwares de planejamento orçamentário.
- Competências técnicas: contabilidade gerencial, finanças corporativas, modelagem financeira e análise de dados.
- Competências interpessoais: comunicação clara, visão sistêmica e capacidade de influenciar gestores.
- Mentalidade: foco em soluções, pensamento analítico e disciplina no acompanhamento de resultados.
Conclusão
Por fim, a controladoria é a ponte entre números e decisões. Ela permite identificar problemas, propor soluções e acompanhar os resultados da empresa de forma estratégica.
Para investidores, entender o papel dela é essencial: é por meio dessa área que se avalia se uma companhia realmente toma decisões fundamentadas, evitando surpresas no desempenho financeiro.
Por isso, ao analisar empresas, observe como a controladoria atua: os sistemas, indicadores e processos que suportam a gestão são sinais de empresas bem estruturadas e com maior potencial de crescimento.