Quando você compra ações, fundos imobiliários ou títulos públicos, seus ativos precisam ser guardados em algum lugar. Esse serviço se chama custódia. Muitas corretoras cobram taxa mensal ou anual por ele, mas muitos investidores nem percebem que estão pagando.
Custódia é o registro e a manutenção dos seus investimentos em um sistema seguro — um cofre digital que comprova que os ativos são seus. Sem esse registro, não há como provar que os ativos pertencem a você.
Nos últimos anos, a maioria das corretoras brasileiras eliminou a taxa de custódia. Ou seja, você pode manter seus investimentos sem custos mensais. Mas algumas instituições ainda cobram, principalmente de clientes com patrimônio elevado ou perfis específicos.
A seguir, você vai entender como a custódia funciona, quem cobra e quando essas taxas realmente fazem sentido para evitar que gastos desnecessários derretam seu retorno no longo prazo.
O que é custódia?
Custódia é o serviço de registro, guarda e administração dos seus ativos financeiros.
Quando você compra uma ação, por exemplo, não recebe um certificado físico em papel. O que acontece é que a propriedade fica registrada eletronicamente em um sistema de custódia.
Esse registro garante que você é o legítimo dono daqueles ativos. Ele permite que você venda quando quiser, receba dividendos automaticamente e comprove a propriedade para qualquer finalidade legal ou fiscal.
Assim, sem o sistema de custódia, o mercado financeiro moderno simplesmente não funcionaria.
Para que serve a custódia?
A custódia cumpre várias funções essenciais no mercado financeiro.
Primeiro, ela garante segurança jurídica, pois mantém registro oficial de quem possui cada ativo.
Segundo, facilita liquidações, tornando possível transferir propriedade de ativos entre investidores de forma rápida e segura durante as negociações.
Além disso, a custódia centraliza informações.
Quando uma empresa paga dividendos, o sistema de custódia identifica automaticamente quem são os acionistas e distribui os valores proporcionalmente. O mesmo acontece com desdobramentos, grupamentos e outros eventos corporativos.
Por fim, a custódia organiza sua vida como investidor. Você pode acessar uma posição consolidada de tudo que possui através do sistema da corretora ou da B3, facilitando o acompanhamento e declaração de imposto de renda.
Custódia x propriedade
É importante entender que custódia não é o mesmo que propriedade. A corretora ou a B3 fazem a custódia dos seus ativos, mas você continua sendo o dono. Eles apenas guardam o registro e administram tecnicamente essa informação.
Essa distinção tem consequências práticas importantes.
Se a corretora quebrar, seus ativos continuam sendo seus porque estão registrados em seu nome na B3.
A corretora não pode usar suas ações para pagar dívidas próprias, já que há segregação patrimonial clara.
Isso diferencia investimentos em renda variável de investimentos em renda fixa.
Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro para o banco e virando credor. Se o banco quebra, você depende do FGC ou de processo judicial.
Já em ações custodiadas na B3, você tem propriedade direta e separada, oferecendo proteção muito maior.
Como funciona a custódia de ativos?

Registro na B3
No Brasil, o principal sistema de custódia de renda variável é operado pela B3.
Quando você compra ações, fundos imobiliários ou ETFs, a propriedade fica registrada no sistema de custódia da bolsa chamado Central Depositária.
O processo funciona assim: você envia ordem de compra através da corretora, a ordem é executada na bolsa e, dois dias úteis depois (D+2), acontece a liquidação.
Nesse momento, a B3 registra oficialmente em seu CPF as cotas ou ações compradas. A partir daí, você é o dono registrado daqueles ativos.
Esse registro é permanente e seguro. Ele fica vinculado ao seu CPF e independe da corretora que você usa.
Por isso, você pode transferir seus investimentos de uma corretora para outra sem precisar vender e recomprar, apenas transferindo a custódia.
Papel da corretora
A corretora atua como intermediária entre você e a B3. Ela mantém uma subconta de custódia onde seus ativos ficam registrados sob seu CPF dentro do sistema da B3.
Ao acessar o app ou site da corretora e ver sua carteira de investimentos, você está visualizando essa informação de custódia. A corretora puxa dados direto da B3 e os apresenta de forma organizada e intuitiva.
Algumas corretoras também oferecem serviços adicionais de custódia, como:
- relatórios personalizados;
- alertas de eventos corporativos;
- cálculo automático de rentabilidade;
- consolidação de posições em múltiplos mercados.
A propósito, quando as corretoras cobram taxa de custódia, é parcialmente para custear esses serviços adicionais, já que o registro básico na B3 é obrigatório e cobrado pela própria bolsa.
Sistema de liquidação e custódia
A B3 opera um sistema integrado que conecta negociação, liquidação e custódia.
Quando uma operação é fechada durante o pregão, ela entra em um ciclo de processamento que culmina na transferência de propriedade.
Durante os dois dias úteis entre negociação e liquidação, várias verificações acontecem
O sistema confirma que o vendedor realmente possui os ativos que está vendendo, que o comprador tem dinheiro suficiente e que não há impedimentos legais ou técnicos para a transferência.
Na data de liquidação, acontece a troca simultânea: dinheiro sai da conta do comprador e entra na conta do vendedor, enquanto os ativos saem da custódia do vendedor e entram na do comprador.
Esse processo é chamado de DVP (Delivery versus Payment) e garante que ninguém fique sem receber o que lhe é devido.
Tipos de custódia
A custódia funciona de forma diferente para cada tipo de ativo no seu portfólio. Veja abaixo como ela se aplica a ações, títulos públicos, criptomoedas e investimentos no exterior:
Ações e fundos imobiliários
Ações e fundos imobiliários negociados na B3 têm custódia centralizada na bolsa. Esse é o modelo mais simples e seguro, pois há apenas um registro central e oficial de propriedade.
A B3 cobra uma taxa de custódia sobre esses ativos. Atualmente, investidores com posição até R$ 25.341,54 são isentos. Acima desse valor, a taxa é progressiva, começando em percentual muito baixo e aumentando conforme o patrimônio custodiado cresce.
Na prática, essa taxa é tão pequena para a maioria dos investidores que passa despercebida.
Para quem tem R$ 100.000 investidos, por exemplo, a taxa anual da B3 fica em torno de R$ 200 a R$ 300 por ano, dependendo da faixa progressiva.
Títulos públicos (Tesouro Direto)
Títulos públicos têm custódia operada pela B3 através do sistema do Tesouro Direto. Até dezembro de 2024, a taxa de custódia era cobrada semestralmente, nos primeiros dias úteis de janeiro e julho.
A partir de 31 de dezembro de 2024, a B3 mudou o modelo de cobrança. A taxa do Tesouro Direto deixou de ser semestral e passou a ser cobrada apenas quando ocorre vencimento, resgate antecipado ou pagamento de juros do título.
Essa mudança facilita a gestão, pois elimina a necessidade de manter saldo disponível duas vezes por ano apenas para pagar a taxa.
A alíquota continua em 0,20% ao ano. Além disso, investimentos de até R$ 10.000 em Tesouro Selic são isentos de taxa de custódia. Isso significa que a maioria dos investidores iniciantes opera sem esse custo no Tesouro Direto.
Criptomoedas
Criptomoedas seguem uma lógica completamente diferente. Não há custódia centralizada obrigatória. Você pode manter criptomoedas em carteiras próprias (cold wallet, hot wallet) ou deixá-las custodiadas em exchanges.
Quando você deixa criptomoedas em exchanges, está confiando que a plataforma mantém reservas suficientes e seguras.
Diferente de ações na B3, não há segregação patrimonial garantida. Se a exchange quebra ou sofre hack, você pode perder tudo.
Por isso, investidores experientes em cripto preferem custódia própria em carteiras em que controlam as chaves privadas.
O ditado no mundo cripto é “not your keys, not your coins”. Ou seja, se você não controla as chaves, não é realmente dono.
Internacional
Investimentos diretos no exterior através de corretoras internacionais têm custódia fora do Brasil. Você está sujeito às regras e proteções do país onde investe.
Nos Estados Unidos, por exemplo, ativos são custodiados pela DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation) e protegidos pela SIPC (Securities Investor Protection Corporation), que garante até US$ 500.000 por investidor em caso de falência da corretora.
Já BDRs (recibos de ações estrangeiras negociados na B3) têm custódia no Brasil, apesar de representarem ativos lá fora.
Isso simplifica operacionalmente para investidores brasileiros, mas adiciona uma camada de intermediação.
Taxas de custódia no Brasil
Custódia gratuita x custódia paga
A competição entre corretoras nos últimos anos levou à eliminação da taxa de custódia para a maioria dos clientes.
Grandes corretoras como XP, BTG, Itaú, Inter, Clear e outras não cobram taxa de custódia de investidores pessoa física com perfis padrão.
Contudo, essa gratuidade não significa que a custódia deixou de ter custo. Significa que as corretoras absorvem esse custo como parte da estratégia de atração e retenção de clientes.
Elas ganham dinheiro através de outras fontes, incluindo:
- corretagem de operações;
- distribuição de produtos de terceiros;
- receita de aluguel de ações
- serviços premium.
Entretanto, clientes com atendimento diferenciado (assessoria exclusiva, private banking) podem ter taxa de custódia cobrada.
Isso acontece porque esses clientes recebem serviços personalizados que vão além da custódia básica, como:
- análises customizadas;
- rebalanceamento ativo;
- relatórios sofisticados.
Valores cobrados pelas corretoras
Quando há cobrança, os modelos variam. Algumas corretoras cobram valor fixo mensal (R$ 10, R$ 20, R$ 50), independentemente do patrimônio custodiado. Outras cobram percentual sobre o valor da carteira, similar ao modelo da B3.
A taxa da B3 para custódia de ações e FIIs já está embutida e é repassada pelas corretoras. Investidores com até R$ 25.341,54 custodiados são isentos. Acima desse valor, a taxa é progressiva:
- Até R$ 25.341,54: isento.
- De R$ 25.341,55 a R$ 6.300.000,00: aproximadamente 0,0084% ao mês sobre o valor excedente.
- Acima de R$ 6.300.000,00: percentual ainda menor.
Esses valores são atualizados periodicamente pela B3. Portanto, sempre consulte o site oficial da bolsa para confirmar a tabela vigente.
Quando vale a pena pagar custódia?
Na maioria dos casos, pagar custódia não vale a pena quando alternativas gratuitas existem.
Se sua corretora cobra e você não usa serviços que justifiquem o custo, transferir para corretora sem a taxa é a melhor opção, claro.
No entanto, há exceções.
Se você recebe assessoria de qualidade que comprovadamente agrega valor superior ao custo, a taxa de custódia associada pode valer a pena. Se relatórios e ferramentas exclusivas facilitam significativamente sua gestão, o benefício pode superar o custo.
O importante é fazer as contas. Se você paga R$ 30 por mês de custódia (R$ 360 ao ano) e recebe em troca apenas o básico que corretoras gratuitas oferecem, está desperdiçando dinheiro.
Ao longo de 10 anos, são R$ 3.600 que poderiam estar investidos rendendo juros compostos.
Como a custódia garante a segurança dos ativos do investidor?

Mas afinal, como a custódia oferece segurança na prática, mantendo os ativos da sua carteira protegidos? Veja:
Proteção contra falência da corretora
Seus ativos custodiados na B3 estão protegidos contra falência da corretora.
Como a propriedade fica registrada em seu CPF no sistema central da bolsa, a corretora não pode usar seus investimentos para pagar dívidas próprias.
Se sua corretora quebra, seus ativos não desaparecem.
A B3 e a CVM coordenam processo de transferência para outra instituição. Você pode escolher para onde transferir ou aguardar que órgãos reguladores organizem migração automática para corretora saudável.
Esse processo pode levar algumas semanas e temporariamente impedir negociações, mas você não perde os ativos.
A segregação patrimonial garante que investimentos em renda variável custodiados na B3 têm risco praticamente zero de perda por falência da intermediária.
Segregação de ativos
Segregação patrimonial significa separação legal entre patrimônio da corretora e patrimônio dos clientes. Seus ativos custodiados não entram no balanço da corretora como ativo dela.
Essa separação é fiscalizada pela CVM e auditada regularmente.
As corretoras são obrigadas a manter controles rigorosos mostrando exatamente quais ativos pertencem a quais clientes. Misturar patrimônio próprio com patrimônio de clientes é proibido e configuraria um crime grave.
Portanto, mesmo que a corretora tenha problemas financeiros severos, seus investimentos ficam protegidos.
A lei e as regulações criam barreira clara impedindo que credores da corretora acessem ativos que pertencem legalmente a você.
FGC e outros mecanismos de proteção
O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) protege investimentos de renda fixa, não de renda variável.
Ele cobre CDBs, LCIs, LCAs e poupança até R$ 250.000 por CPF por instituição, com limite de R$ 1 milhão a cada 4 anos.
Para ações, FIIs e ETFs custodiados na B3, a proteção vem da segregação patrimonial, não do FGC.
É uma proteção estrutural, não um fundo garantidor. Funciona melhor, pois não há limite de valor: todo seu patrimônio está protegido independentemente do tamanho.
Nos EUA, a SIPC oferece proteção adicional para custódia de valores mobiliários. No Brasil, não há um equivalente direto, mas a segregação patrimonial oferece proteção considerada suficiente pelos reguladores.
Transferência de custódia
Dependendo das condições atuais da sua corretora em relação às opções disponíveis no mercado, transferir a custódia pode valer a pena. Veja como funciona esse processo e quando faz sentido:
Como transferir investimentos entre corretoras?
Transferir a custódia de uma corretora para outra é um processo descomplicado. Você não precisa vender seus ativos nem recomprá-los, evitando custos tributários e operacionais desnecessários.
Na prática, a transferência ocorre em etapas bem definidas:
- Início na corretora de destino
Você solicita a transferência informando quais ativos deseja trazer e de qual corretora eles virão. - Envio da ordem para a B3
A corretora de destino encaminha a solicitação à B3, que coordena a movimentação dos ativos entre as instituições custodiantes. - Análise e validação da documentação
Normalmente são exigidos:- documento de identidade;
- comprovante de residência;
- declaração assinada autorizando a transferência.
Algumas corretoras pedem reconhecimento de firma (confirmação em cartório de que a assinatura é do titular), enquanto outras aceitam todo o processo de forma digital.
Observação importante: a B3 lançou sistema de portabilidade digital que torna o processo mais rápido e menos burocrático. Através da Área do Investidor no site da B3, você pode solicitar transferência diretamente, sem precisar preencher formulários físicos (STVM). Esse sistema está disponível para ações, ETFs, FIIs, BDRs e outros ativos de renda variável.
Prazos e custos
A B3 cobra tarifa por transferência de custódia baseada em valor fixo por protocolo, não por percentual. O valor exato varia conforme o tipo de ativo e pode ser consultado na tabela oficial de tarifas da B3.
Muitas corretoras de destino oferecem transferência gratuita ou reembolsam os custos como estratégia de aquisição de clientes. Elas absorvem as tarifas da B3 para atrair seu patrimônio.
Vale verificar se a corretora para onde você está indo oferece esse benefício antes de iniciar o processo.
O prazo oficial estabelecido pela CVM para transferência de custódia é de 2 dias úteis após o recebimento da solicitação pelas instituições envolvidas. Esse prazo é contado a partir do momento em que a corretora de origem recebe e confirma sua solicitação.
Durante esse período, você não pode negociar os ativos em transferência. Eles ficam bloqueados até chegarem na corretora de destino.
Assim, planeje transferências com antecedência, evitando momentos em que possa precisar vender urgentemente.
Quando transferir faz sentido?
Transferir custódia faz sentido quando os benefícios superam custos e incómodos.
Se sua corretora atual cobra taxa de custódia e outra não cobra, transferir economiza dinheiro continuamente.
Se a nova corretora oferece plataforma superior, relatórios melhores, atendimento mais ágil ou produtos que você deseja acessar, a transferência melhora sua experiência operacional.
Por outro lado, caso você tenha um relacionamento longo com um assessor de investimentos que agrega valor, a economia de taxa de custódia pode não compensar perder esse suporte.
Dessa forma, avalie o pacote completo, não apenas o custo isolado de custódia.
Custódia e declaração de imposto de renda
Além de proteger seus investimentos, a custódia te ajuda a estar em dia com suas responsabilidades fiscais. Entenda:
Informe de rendimentos
Corretoras são obrigadas a fornecer informe de rendimentos anualmente. Esse documento consolida dividendos recebidos, juros sobre capital próprio e outros proventos que você precisa declarar.
O informe é gerado a partir dos dados de custódia. Como a corretora sabe quais ativos você possuía em cada data, consegue calcular exatamente quais proventos você recebeu durante o ano fiscal.
Você acessa o informe através do site ou app da corretora geralmente a partir de fevereiro do ano seguinte.
Guarde esse documento, pois facilita bastante o preenchimento da declaração de imposto de renda.
Posição consolidada
A posição consolidada mostra todos os ativos que você possui custodiados na corretora na data de 31 de dezembro.
Essa informação é essencial para preencher a ficha de “Bens e Direitos” na declaração de imposto de renda.
Você deve declarar cada ativo individualmente, informando código do ativo, quantidade, valor de aquisição e valor na data de 31 de dezembro. A posição consolidada fornecida pela corretora facilita esse processo.
Além disso, algumas corretoras oferecem exportação direta para programas de declaração de IR. Isso automatiza boa parte do trabalho, reduzindo risco de erros no preenchimento manual.
Obrigações do investidor
Mesmo com informes e posições consolidadas fornecidos pela corretora, você é responsável pela declaração correta.
Revisar documentos, conferir valores e garantir que tudo está sendo reportado adequadamente é sua obrigação.
Assim também, você precisa calcular e pagar imposto sobre ganhos de capital nas vendas. Esse cálculo não vem pronto no informe de rendimentos.
Você ainda precisa acompanhar quanto pagou pelos ativos, calcular lucro ou prejuízo em cada venda e pagar o imposto devido quando houver.
A custódia apenas organiza quais ativos estão no seu nome, mas não cuida das suas obrigações fiscais. Ela facilita o controle, mas não substitui sua atenção a essas responsabilidades.
Problemas comuns com custódia
Existem alguns problemas com custódia que o investidor pode enfrentar uma hora ou outra, como:
Taxa cobrada sem conhecimento
Alguns investidores descobrem tardiamente que estão pagando taxa de custódia.
Isso acontece quando debitam valor pequeno mensalmente que passa despercebido ou quando deduzem percentual sobre carteira sem comunicação clara.
Assim, revise periodicamente os extratos e comprovantes da corretora. Se identificar que a cobrança não faz sentido, questione.
Algumas corretoras podem ter cobrado por engano ou sem atualizar o sistema quando passaram a oferecer custódia gratuita.
Você tem direito de entender exatamente o que está pagando. Se a corretora não justificar adequadamente a taxa, considere transferir para uma opção sem custo ou ao menos negociar isenção.
Dificuldade para transferir ativos
Alguns investidores enfrentam burocracia excessiva ao tentar transferir a custódia. Isso porque as corretoras podem criar obstáculos pedindo documentação repetitiva ou demorando os processos intencionalmente para reter clientes.
Se encontrar resistência injustificada, você pode acionar a ouvidoria da corretora.
Se ainda assim o problema persistir, a CVM tem canal para reclamações contra instituições financeiras.
A transferência de custódia é um direito seu e não pode ser bloqueada arbitrariamente.
Informações desatualizadas
Ocasionalmente, sistemas de custódia apresentam informações temporariamente desatualizadas.
Ativos recém-comprados podem não aparecer imediatamente ou dividendos podem demorar para ser creditados.
Geralmente esses problemas se resolvem sozinhos em poucos dias, respeitando prazos de liquidação.
Se persistir além dos prazos regulatórios (D+2 para ações, D+0 ou D+1 para renda fixa), entre em contato com suporte da corretora para entender o que está acontecendo.
Perguntas frequentes
Meus ativos estão seguros na corretora?
Sim, desde que estejam custodiados na B3. A segregação patrimonial garante que ações, FIIs e ETFs são legalmente seus, mesmo se a corretora quebrar. Já o dinheiro parado na conta da corretora não tem a mesma proteção, por isso é melhor manter apenas o necessário para operações.
Posso perder meus investimentos se a corretora quebrar?
Em ativos custodiados na B3, como ações, FIIs e ETFs, não. Em renda fixa, depende do produto: CDBs, LCIs e LCAs têm garantia do FGC até R$ 250 mil por instituição, enquanto títulos sem garantia dependem da saúde do emissor. Tesouro Direto é garantido pelo governo federal.
Como evitar pagar taxa de custódia?
Opte por corretoras que oferecem custódia gratuita, o que hoje é padrão no mercado. Se sua corretora cobra, verifique se há isenção por volume operado ou saldo mantido. Caso não exista, considere transferir para uma corretora sem taxa.
Conclusão
Por fim, a custódia existe para proteger seus investimentos, não para drenar seu patrimônio aos poucos.
Hoje, a maioria das corretoras brasileiras oferece custódia gratuita. Se alguma ainda cobra, vale parar e se perguntar: o que exatamente estou recebendo em troca? Em muitos casos, alternativas sem taxa entregam praticamente a mesma experiência.
A boa notícia é que transferir custódia é simples. Normalmente leva menos de duas semanas e não exige vender ativos.
Se você paga R$ 30, R$ 50 ou R$ 100 por mês sem um benefício claro, essa decisão pode estar custando milhares de reais ao longo do tempo — dinheiro que poderia estar investido e trabalhando a seu favor.
Do ponto de vista de segurança, o sistema brasileiro é robusto. Ativos registrados na B3 ficam no seu nome, separados do patrimônio da corretora.
Se ela quebrar, suas ações e FIIs continuam sendo seus. Essa estrutura dá tranquilidade para focar no que realmente importa: a estratégia.
Por isso, revise periodicamente quanto paga e por quê. Custódia, na maioria dos casos, deveria ser invisível e gratuita. Se não for, questione. E, se necessário, mude. Seu patrimônio sente a diferença no longo prazo.
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