Insider trading: o que é e por que é crime no mercado financeiro

Tão importante quanto conhecer boas estratégias de investimento é entender o que não pode ser feito no mercado financeiro — e o insider trading está no topo dessa lista.

Imagine que você trabalha no departamento financeiro de uma empresa de capital aberto. 

Antes de qualquer comunicado oficial, você descobre que a companhia está prestes a fechar um contrato bilionário, com potencial de disparar o preço das ações.

Antecipando o anúncio, você compra ações. Quando a notícia se torna pública, o papel sobe 30% e você lucra milhares de reais. Parece uma jogada inteligente, certo?

Na prática, não é. Isso caracteriza insider trading: uma infração grave no mercado financeiro, com penalidades severas.

Mas afinal, o que define essa prática? Quais são as consequências legais? E como investir de forma ética, sem correr riscos desnecessários?

É isso que você vai entender a seguir.

O que é insider trading?

Insider trading é o uso de informação privilegiada para negociar ativos no mercado financeiro, obtendo vantagem indevida sobre outros investidores.

O termo insider se refere a alguém “por dentro” da empresa, com acesso a dados relevantes antes de sua divulgação pública. Já trading diz respeito à compra e venda de ativos.

Assim, quando uma pessoa utiliza informações confidenciais — ainda não disponíveis ao mercado — para operar antes da divulgação oficial, ela comete insider trading.

A prática é ilegal porque gera desequilíbrio. Enquanto alguns negociam com informação completa, o restante do mercado opera sem acesso ao mesmo conhecimento.

Isso viola um princípio básico de mercados justos: todos os investidores devem ter acesso às mesmas informações ao mesmo tempo.

O que caracteriza informação privilegiada?

Nem toda informação sobre uma empresa é privilegiada. Para que o mercado considere uma informação privilegiada, ela precisa atender a três critérios:

  • Não é pública: ainda não foi divulgada oficialmente ao mercado e está restrita a um grupo limitado de pessoas;
  • É relevante: tem potencial de influenciar significativamente o preço dos ativos;
  • É específica: trata de fatos concretos, e não de rumores ou especulações vagas.

Veja alguns exemplos:

  • resultados financeiros antes da divulgação oficial;
  • fusões e aquisições em negociação;
  • descoberta de fraudes ou problemas graves;
  • contratos importantes prestes a serem fechados;
  • mudanças na alta gestão ainda não anunciadas.

Diferença entre informação pública e privilegiada

O mercado considera informação pública todo dado oficialmente divulgado, como fatos relevantes, demonstrações financeiras, apresentações de resultados e entrevistas públicas de executivos, por exemplo.

A partir do momento em que a empresa registra e divulga a informação, qualquer investidor pode usá-la para tomar decisões. Isso não caracteriza insider trading.

A diferença está no timing. A mesma informação que é privilegiada às 9h da manhã (antes do fato relevante) se torna pública e utilizável às 10h (depois da divulgação oficial), por exemplo.

Se você toma uma decisão com base em um fato relevante já divulgado, está tudo certo. Mas se teve acesso à informação antes da divulgação, por meio de alguém ligado à empresa, caracteriza insider trading.

Origem do termo e histórico

O conceito de insider trading existe desde os primeiros mercados organizados, mas sua regulamentação é relativamente recente.

Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC) passou a combater a prática com mais rigor a partir da década de 1960, impulsionada por casos emblemáticos.

No Brasil, a Lei nº 6.385/1976 já tratava do uso indevido de informação privilegiada. No entanto, foi com as reformas das décadas seguintes, principalmente a Lei nº 10.303/2001, que o combate se tornou mais efetivo.

Atualmente, a CVM pune o insider trading na esfera administrativa, e a Justiça o reprime na esfera penal, podendo aplicar multas e penas de prisão.

Por que insider trading é crime?

A legislação considera o insider trading um crime porque ele viola princípios fundamentais do funcionamento dos mercados financeiros. Entre os principais motivos, destacam-se:

Quebra da igualdade de condições

Os mercados financeiros só funcionam quando existe a percepção de que todos os participantes jogam com as mesmas regras.

Quando alguém compra ou vende ativos sabendo, com antecedência, que o preço vai subir ou cair por causa de uma informação não pública, isso deixa de ser investimento. Passa a ser trapaça.

Para efeito de comparação, é como jogar pôquer conhecendo as cartas dos adversários. A vitória é garantida, mas o jogo perde o sentido — e ninguém mais quer participar.

Investidores comuns só colocam seu dinheiro no mercado porque acreditam que têm uma chance justa. Quando percebem que insiders operam com vantagem desleal, a confiança se rompe e muitos simplesmente abandonam o mercado.

Perda de confiança no mercado

Confiança é o ativo mais valioso de qualquer mercado financeiro.

Quando casos de insider trading vêm à tona, investidores começam a questionar se o ambiente é realmente justo. Pessoas físicas se afastam da bolsa, e o capital estrangeiro busca mercados mais transparentes.

Com menos participantes, o mercado perde liquidez e eficiência. Além disso, empresas encontram mais dificuldade para captar recursos, e o custo de capital aumenta.

No longo prazo, a prática generalizada de insider trading pode comprometer o funcionamento do mercado como um todo. Por isso, países com mercados desenvolvidos combatem esse tipo de conduta com rigor.

Prejuízo aos investidores comuns

O insider trading não é um crime sem vítimas. Há prejuízos diretos para investidores honestos.

Quando um insider compra ações antes de uma notícia positiva, alguém vendeu esses papéis sem saber que eles se valorizariam em breve. Assim, esse vendedor perdeu uma oportunidade de ganho.

Da mesma forma, quando um insider vende antes de uma notícia negativa, alguém comprou essas ações sem saber que elas cairiam. Esse comprador absorveu um prejuízo que poderia ter evitado.

Em ambos os casos, investidores comuns saem perdendo porque alguém operou com informação privilegiada.

Base legal no Brasil

No Brasil, o insider trading é crime previsto no artigo 27-D da Lei nº 6.385/1976. A pena inclui reclusão de 1 a 5 anos, além de multa. O valor da multa pode chegar a até três vezes a vantagem obtida ou o prejuízo evitado.

Além da esfera penal, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pode aplicar sanções administrativas, como multas que podem alcançar R$ 50 milhões, proibição de atuar no mercado e obrigação de devolver os ganhos ilícitos.

A legislação brasileira é clara: insider trading é um crime grave e tratado com severidade.

Como funciona o insider trading na prática?

Investidores trocando informações antes de abrir ou fechar posições

Para identificar situações de risco e evitar se envolver, mesmo sem perceber, em condutas ilegais, entenda como o insider trading funciona na prática:

Quem pode ser considerado insider

A legislação não restringe o insider trading a executivos de alto escalão. A lei responsabiliza qualquer pessoa que use ou repasse informação privilegiada, independentemente do cargo que ocupa.

Mesmo alguém externo à empresa responde por insider trading se souber que a informação era privilegiada e ainda assim decidir utilizá-la.

Em geral, os insiders são divididos em duas categorias:

  • Insiders primários: são pessoas com acesso direto às informações internas da empresa, como diretores, executivos, conselheiros e funcionários que lidam com dados confidenciais.
  • Insiders secundários: são aqueles que recebem a informação de um insider primário, como familiares, amigos, consultores, advogados, auditores e bancos de investimento envolvidos em operações da empresa.

Formas diretas e indiretas de uso

O insider trading pode ocorrer de forma direta ou indireta.

Na forma direta, a própria pessoa que tem acesso à informação opera em sua conta pessoal antes da divulgação oficial.

Já as formas indiretas tentam disfarçar a conduta, mas continuam sendo ilegais. Entre elas, estão:

  • operar por meio de contas de terceiros ou “laranjas”;
  • pedir para familiares ou amigos realizarem as operações;
  • usar contas no exterior acreditando que não serão rastreadas;
  • repassar a informação para outra pessoa operar e depois receber parte do lucro ou algum benefício em troca.

Todas essas práticas caracterizam insider trading. A CVM utiliza ferramentas de monitoramento capazes de identificar padrões suspeitos, inclusive em operações indiretas.

Cadeia de repasse de informações

Em muitos casos, o insider trading envolve uma cadeia de repasse.

Um executivo (Pessoa A) compartilha a informação com um amigo próximo (Pessoa B), que repassa a outro conhecido (Pessoa C). Mesmo que apenas a Pessoa C opere no mercado, todos podem ser responsabilizados.

A Pessoa A responde por repassar informação privilegiada, a Pessoa B por receber e retransmitir, e a Pessoa C por utilizar a informação, mesmo estando distante da fonte original.

A lei pune não apenas quem negocia ativos, mas também quem divulga ou facilita o uso de informação privilegiada, ainda que não opere diretamente.

Como o insider trading é detectado?

O avanço da tecnologia e dos mecanismos de fiscalização tornou cada vez mais difícil praticar insider trading sem que as autoridades identifiquem a irregularidade. Veja:

Monitoramento da CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) monitora as negociações de valores mobiliários no Brasil por meio de sistemas automatizados.

Esses sistemas analisam milhões de operações diariamente, identificando padrões atípicos de negociação em tempo real.

A CVM cruza dados de mercado com eventos corporativos relevantes, como divulgações de resultados, fusões, aquisições e outros fatos relevantes.

Assim, compras ou vendas fora do padrão pouco antes de anúncios importantes costumam acender alertas para investigação.

O monitoramento é contínuo e altamente sofisticado, tornando ilusória a ideia de que operações irregulares passam despercebidas.

Padrões suspeitos de negociação

Alguns comportamentos chamam atenção imediata dos sistemas de fiscalização, como, por exemplo:

  • aumento expressivo e atípico no volume de negociações antes de anúncios relevantes;
  • operações realizadas por pessoas ligadas à empresa em momentos sensíveis;
  • primeira operação relevante em determinado ativo justamente antes de um evento importante;
  • recorrência de operações com timing extremamente preciso em diferentes empresas.

Quando esses padrões se repetem, a probabilidade de coincidência é baixa, o que justifica a abertura de investigações.

Cruzamento de dados e investigações

A CVM cruza informações de diversas fontes, como:

  • registros de operações fornecidos pelas corretoras;
  • dados de pessoas vinculadas às companhias abertas;
  • informações obtidas em cooperação com outros órgãos reguladores;
    registros de comunicações, quando há autorização judicial.

As investigações geralmente começam com análises quantitativas, feitas por algoritmos, e avançam para análises qualitativas conduzidas por investigadores.

Havendo indícios suficientes, é instaurado processo administrativo, com coleta de documentos, oitivas e aprofundamento das apurações.

Denúncias e whistleblowers

Além do monitoramento automatizado, muitos casos de insider trading são descobertos por meio de denúncias.

A CVM mantém canais específicos que permitem o envio de informações de forma confidencial, preservando a identidade do denunciante.

Esse mecanismo incentiva a comunicação de irregularidades por pessoas que tenham conhecimento de práticas ilícitas.

Em determinadas situações, a colaboração pode resultar em benefícios legais ao denunciante, reforçando o papel dos whistleblowers no combate ao insider trading.

Penalidades para insider trading no Brasil

Juiz batendo o martelo representando condenação de quem pratica insider trading

As penalidades para insider trading no Brasil são severas e podem envolver sanções administrativas, criminais e restrições profissionais, aplicadas de forma cumulativa.

Multas administrativas

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pode aplicar multas de até R$ 50 milhões ou de até três vezes o valor da vantagem econômica obtida, prevalecendo o maior montante.

Na prática, o valor da multa varia conforme a gravidade da infração, o lucro obtido ou o prejuízo evitado, podendo alcançar cifras milionárias.

Além disso, a CVM pode determinar a devolução integral dos ganhos ilícitos, garantindo que o infrator não retenha qualquer benefício econômico da prática irregular.

Penas criminais (prisão)

A legislação brasileira tipifica o insider trading como crime e prevê pena de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa criminal.

Em determinadas situações, a Justiça pode converter penas de até quatro anos em sanções alternativas, desde que o réu cumpra os requisitos legais.

Ainda assim, a condenação criminal gera antecedentes, com impactos relevantes sobre a reputação profissional, oportunidades de trabalho e até restrições em viagens internacionais.

Em casos mais graves ou de reincidência, o cumprimento da pena pode ocorrer em regime semiaberto ou fechado.

Proibição de atuar no mercado

Outra sanção relevante é a inabilitação para atuar no mercado de capitais.

A CVM pode proibir o condenado de ocupar cargos em companhias abertas, administrar recursos de terceiros, atuar como analista ou exercer funções em instituições financeiras.

Essa proibição pode ser temporária ou definitiva, dependendo da gravidade do caso. Para profissionais do mercado financeiro, trata-se de uma penalidade com impacto direto e duradouro na carreira.

Casos famosos de insider trading

Alguns dos episódios mais emblemáticos de insider trading ocorreram em mercados considerados altamente regulados, como o dos Estados Unidos. Conheça o principais:

Martha Stewart (Estados Unidos, 2001)

A empresária vendeu ações da ImClone Systems pouco antes do anúncio de que um medicamento da empresa havia sido rejeitado pela FDA. A operação evitou prejuízo relevante, mas resultou em condenação criminal, cumprimento de pena e danos permanentes à sua reputação.

Raj Rajaratnam (Estados Unidos, 2011)

Fundador do fundo hedge Galleon Group, foi condenado a 11 anos de prisão por liderar um amplo esquema de insider trading envolvendo informações privilegiadas de diversas empresas, lucrando mais de US$ 60 milhões.

Rajat Gupta (Estados Unidos, 2012)

Ex-CEO da McKinsey, foi condenado a 2 anos de prisão por repassar informações confidenciais de companhias como Goldman Sachs e Procter & Gamble a Rajaratnam. O caso marcou o mercado por mostrar que até executivos de altíssimo nível podem ser responsabilizados.

Casos no Brasil

O mercado brasileiro também registra investigações e processos envolvendo suspeitas de insider trading, principalmente em momentos de grandes eventos corporativos. Entre os casos mais conhecidos, estão:

  • Sadia-Perdigão: investigações sobre possível uso de informação privilegiada na fusão que criou a BRF.
  • Caso OGX: processos relacionados a operações suspeitas antes de anúncios de problemas na empresa de Eike Batista.
  • Caso Oi: investigações sobre operações antes de pedido de recuperação judicial.

A CVM mantém um histórico público de processos administrativos sancionadores, o que evidencia que fiscaliza continuamente o mercado e aplica punições quando identifica irregularidades.

Lições aprendidas

Os casos famosos deixam uma lição clara: insider trading não compensa.

Mesmo quando gera ganhos elevados no curto prazo, o risco de punição, a perda financeira posterior e a destruição da carreira tornam essa prática uma das decisões mais prejudiciais no mercado financeiro.

A ideia de que alguém é “esperto demais para ser pego” é uma ilusão que já custou caro a muitos profissionais experientes.

Insider trading x informação legítima

Existe uma linha entre uso legítimo de informação e insider trading. Confira:

Quando usar informação pública é permitido

Qualquer informação oficialmente divulgada ao mercado pode ser utilizada livremente por qualquer investidor.

Você pode operar com base em fatos relevantes publicados na CVM, participar de teleconferências de resultados, analisar demonstrações financeiras divulgadas, acompanhar comunicados ao mercado e tomar decisões imediatamente após essas divulgações.

Também é totalmente legítimo utilizar relatórios de analistas, notícias da imprensa, dados macroeconômicos públicos e estatísticas oficiais.

Análise fundamentalista não é insider trading

Avaliar balanços, projetar resultados futuros, estimar valor justo, analisar vantagens competitivas e modelar cenários são práticas centrais da análise fundamentalista — e são completamente legais.

Você não precisa de informação privilegiada para investir bem. É possível, usando apenas dados públicos, chegar a conclusões que o mercado ainda não precificou.

Quando você identifica uma empresa subvalorizada com base em estudo, trabalho e análise, e compra ações por isso, está agindo de forma legítima.

A vantagem, nesse caso, vem do conhecimento e do esforço — não do acesso indevido à informação confidencial.

Conversas com a empresa (RI) dentro da legalidade

Investidores podem conversar normalmente com o departamento de Relações com Investidores (RI) das empresas.

Você pode fazer perguntas sobre o negócio, estratégia, mercado, resultados já divulgados e perspectivas gerais. Também é legítimo pedir esclarecimentos sobre informações públicas.

No entanto, a empresa não pode te dar informações relevantes que ainda não são públicas. Por isso, companhias sérias treinam seus profissionais de RI para não cruzar essa linha.

Se, durante uma conversa, você receber uma informação claramente relevante e não pública, não pode utilizá-la. O correto é aguardar a divulgação oficial — ou, em situações mais graves, reportar o vazamento.

A linha tênue e como não cruzá-la

A regra prática é simples: se houver dúvida sobre o caráter da informação, não opere com base nela.

Se alguém comenta algo sobre uma empresa fora dos canais oficiais e você pensa “isso é relevante, vou comprar ações”, pare imediatamente e se pergunte: essa informação já foi divulgada publicamente ao mercado?

Se a resposta for não, operar com base nisso pode caracterizar insider trading.

Quem trabalha em empresas de capital aberto — ou tem acesso a informações confidenciais por qualquer motivo profissional — deve redobrar a cautela.

Nesses casos, você reduz o risco ao não negociar ações da própria empresa ou de companhias diretamente relacionadas, principalmente em períodos sensíveis, como antes da divulgação de resultados, fusões ou fatos relevantes.

Se a dúvida persistir, busque aconselhamento jurídico especializado em mercado de capitais antes de realizar qualquer operação.

No insider trading, o custo de errar é alto demais para apostar na interpretação pessoal.

Como se proteger de acusações infundadas?

Mesmo investidores que atuam de forma ética devem se preocupar com o insider trading, pois podem surgir acusações infundadas. Alguns cuidados simples ajudam a reduzir esse risco:

Documentar suas análises e decisões

Manter registros das suas análises e do raciocínio por trás das operações é uma das formas mais eficazes de proteção.

Se você comprou ações de uma empresa e, semanas depois, ocorreu um anúncio positivo, ter anotações que mostrem que a decisão se baseou em dados públicos e análise fundamentalista ajuda a demonstrar boa-fé.

Esses registros não precisam ser nada elaborado. Anotações simples explicando por que a empresa parecia atrativa — com base em balanços, fatos relevantes, relatórios ou dados macroeconômicos públicos — já cumprem bem esse papel.

Evitar aparência de conflito

Quem trabalha no mercado financeiro ou em áreas com acesso a informações sensíveis deve ter cautela redobrada.

Evite operar ações de empresas que você audita, assessora, presta consultoria ou com as quais mantém qualquer relação profissional relevante.

Mesmo sem usar informação privilegiada, a aparência de conflito pode motivar investigações e gerar desgaste, custos e risco reputacional.

No mercado de capitais, muitas vezes não basta estar certo — é preciso também parecer estar certo.

Períodos de silêncio e restrições voluntárias

Empresas de capital aberto costumam impor períodos de silêncio (blackout periods), nos quais executivos e funcionários ficam proibidos de negociar ações da companhia.

Esses períodos geralmente ocorrem antes da divulgação de resultados ou de eventos relevantes, quando a empresa já faz circular internamente informações sensíveis que ainda não divulgou ao mercado.

Se você trabalha em uma empresa listada, respeitar rigorosamente essas restrições é essencial. Operar durante um período de silêncio, mesmo sem uso consciente de informação privilegiada, é uma péssima ideia.

Compliance pessoal

Criar regras pessoais de compliance é uma forma eficaz de proteção de longo prazo.

Quem atua em áreas sensíveis pode optar por não investir em ações individuais, priorizando fundos diversificados ou ETFs.

Profissionais como advogados, auditores e consultores, por exemplo, que têm contato com informações confidenciais de várias empresas, muitas vezes se beneficiam de focar investimentos em índices amplos ou renda fixa.

No fim das contas, proteger sua reputação e sua carreira vale muito mais do que qualquer ganho pontual obtido ao operar ativos cercados de dúvidas ou potenciais conflitos.

Conclusão

Em resumo, insider trading é um crime grave, punido com multas elevadas, prisão e proibição de atuação no mercado.

Além de ilegal, o uso de informações privilegiadas corrói a confiança no mercado e prejudica investidores que operam de forma legítima.

A fiscalização é rigorosa e cada vez mais tecnológica. Sistemas automatizados, cruzamento de dados e investigações aprofundadas tornam a detecção da prática cada vez mais frequente.

A boa notícia é que, para investir bem, não é preciso trapacear. Análise fundamentalista, estudo de dados públicos e disciplina são caminhos legítimos, éticos e sustentáveis para construir patrimônio.

Por isso, a regra é clara: se a informação não é pública, não opere. Respeitar as regras protege seu capital, sua reputação e sua carreira. No longo prazo, investir com ética não é apenas o caminho correto — é o mais inteligente.

Artigos Relacionados

Porque assinar a nossa newsletter?

Notícias Notícias

Os nossos analistas realizam uma curadoria cuidadosa das principais notícias sobre a bolsa de valores e nós te enviamos, por e-mail, a visão da VG Research sobre como isso pode impactar os seus investimentos.

Artigos Artigos

Tenha acesso a artigos completos e detalhados, toda a semana, sobre os principais temas relacionados à investimentos, empresas e economia.

Vídeos Vídeos

Aulas online e gratuitas sobre a bolsa de valores para te ajudar a entender mais sobre o universo das ações e saber tomar melhores decisões com os seus investimentos, sempre com foco em crescimento de patrimônio e aumento da renda passiva.