Se você já investe há algum tempo, mesmo que apenas no mercado brasileiro, com certeza já ouviu falar da NYSE, a Bolsa de Nova York.
Ela é a maior bolsa de valores do planeta. É ali que são negociadas ações de empresas como Apple, Coca-Cola, Nike, Walmart e McDonald’s, negócios que movimentam bilhões de dólares e definem tendências.
O tamanho da NYSE ajuda a entender sua importância. Sua capitalização de mercado gira em torno de US$ 31 trilhões, cerca de um terço de todo o mercado global e mais de 16 vezes o PIB do Brasil.
Para quem busca diversificação internacional e exposição a empresas consolidadas, a NYSE costuma ser o primeiro passo.
E o ponto mais importante: você não precisa morar nos Estados Unidos para investir nela. Mesmo do Brasil, é possível se tornar sócio de algumas das maiores empresas do mundo.
A seguir, você vai entender o que é a NYSE, como ela funciona e o passo a passo para investir lá. Confira!
O que é a NYSE?
NYSE é a sigla para New York Stock Exchange, ou Bolsa de Valores de Nova York.
É o ambiente que conecta compradores e vendedores de ações de companhias americanas e internacionais, em um mercado organizado, regulado e altamente líquido.
Hoje, a NYSE faz parte do grupo Intercontinental Exchange (ICE), que controla bolsas e plataformas financeiras em vários países.
Quando alguém fala em Wall Street ou no mercado acionário americano, quase sempre está se referindo à NYSE e ao ecossistema financeiro que gira em torno dela.
Localização e estrutura física
A sede da NYSE fica em 11 Wall Street, no distrito financeiro de Manhattan, em Nova York.
O prédio é um dos símbolos mais conhecidos do mercado financeiro. A fachada com colunas aparece com frequência em filmes, jornais e documentários.
A NYSE ainda mantém um pregão físico, onde traders operam presencialmente. Mesmo assim, a maior parte das negociações hoje acontece de forma eletrônica, com alta velocidade e volume.
Não por acaso, Wall Street virou sinônimo de mercado financeiro. A região concentra instituições financeiras há mais de dois séculos.
História e fundação
A NYSE surgiu em 1792, quando 24 corretores assinaram o chamado Acordo de Buttonwood, em Wall Street.
O objetivo era simples: criar regras para negociar valores mobiliários de forma organizada, com padrões claros e comissões definidas.
Desde então, a NYSE atravessou guerras, crises econômicas e revoluções tecnológicas. Sobreviveu ao crash de 1929, à crise de 2008 e a diversos períodos de forte instabilidade.
Mesmo com todas essas mudanças, continuou como um dos pilares do sistema financeiro global.
NYSE hoje: números e relevância
Atualmente, a NYSE tem mais de 2.300 empresas listadas e uma capitalização de mercado que ultrapassa US$ 30 trilhões.
Ela responde por cerca de 40% do volume de negociação de ações nos Estados Unidos, movimentando bilhões de dólares todos os dias.
Empresas líderes em setores como energia, varejo, bancos, indústria e telecomunicações estão listadas na NYSE.
Mais do que números, a relevância da NYSE está no impacto. Movimentos fortes nessa bolsa costumam influenciar mercados do mundo inteiro. Quando a NYSE sobe ou cai, o resto do mercado global presta atenção.
Como funciona a NYSE?
Horário de funcionamento
A NYSE opera de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 16h, no horário de Nova York (ET).
No horário de Brasília, a abertura costuma ocorrer entre 10h30 e 11h30, e o fechamento entre 17h e 18h, variando conforme o horário de verão nos Estados Unidos.
Além do horário regular, existem sessões de:
- pré-mercado (pre-market);
- pós-mercado (after-hours).
Nesses períodos, porém, o volume é menor e a volatilidade costuma ser maior.
A bolsa não funciona em feriados americanos, como Ano Novo, Memorial Day, Independence Day, Thanksgiving e Natal, por exemplo.
Sistema de negociação
A NYSE usa um modelo híbrido, que combina negociação eletrônica com presença humana no pregão.
A maior parte das ordens é executada de forma automática, por sistemas eletrônicos que conectam compradores e vendedores em segundos.
Ao mesmo tempo, cada ação listada tem um Designated Market Maker (DMM), um participante responsável por manter o mercado daquela ação organizado e líquido.
Esse modelo ajuda principalmente em momentos de forte volatilidade, quando ajustes humanos podem evitar distorções grandes de preço.
Market makers e especialistas
Os DMMs têm a função de garantir que sempre exista alguém disposto a comprar ou vender uma ação.
Se faltam compradores, eles entram comprando. Se faltam vendedores, entram vendendo.
Isso aumenta a liquidez e reduz o risco de você ficar “preso” a um ativo sem conseguir negociar.
Em troca, esses participantes ganham com o spread, a diferença entre os preços de compra e venda, mas seguem regras rígidas para manter o mercado justo.
Pregão eletrônico x pregão físico
Apesar da imagem clássica do pregão cheio de operadores, mais de 90% das negociações na NYSE são eletrônicas.
Como investidor, você nunca precisa ir até a bolsa. Basta enviar a ordem pela plataforma da sua corretora.
A ordem é roteada eletronicamente, executada em frações de segundo e registrada automaticamente.
O pregão físico permanece principalmente por tradição, visibilidade institucional e eventos específicos, como IPOs e momentos de alta volatilidade.
Principais empresas listadas na NYSE

A NYSE abriga algumas das maiores e mais conhecidas empresas do planeta. Entre as principais, estão:
Gigantes americanas
A NYSE concentra algumas das empresas mais conhecidas do mundo, líderes em setores tradicionais da economia americana.
Entre as principais companhias listadas, estão:
- Coca-Cola (KO);
- Walt Disney (DIS);
- Nike (NKE);
- Walmart (WMT);
- JPMorgan Chase (JPM);
- Berkshire Hathaway (BRK.B), de Warren Buffett.
Além disso, a bolsa reúne grandes nomes de diferentes setores:
- Indústria: General Electric, Boeing, Caterpillar
- Energia: ExxonMobil, Chevron
- Saúde: Pfizer, Johnson & Johnson
Empresas internacionais
A NYSE não lista apenas empresas americanas. Companhias de diversos países também negociam ações na bolsa de Nova York.
Alguns exemplos conhecidos incluem:
- Alibaba (China);
- Toyota (Japão);
- Royal Dutch Shell (Europa);
- Petrobras (Brasil).
Empresas estrangeiras buscam a NYSE por três motivos principais:
- maior visibilidade global;
- acesso ao mercado de capitais americano;
- prestígio de estar listada na maior bolsa do mundo.
Para viabilizar essa negociação, elas normalmente emitem ADRs (American Depositary Receipts).
Esses certificados representam ações da empresa no país de origem e são negociados diretamente nos Estados Unidos.
Empresas brasileiras na NYSE (ADRs)
Várias empresas brasileiras têm ADRs negociados na NYSE também, como:
- Petrobras (PBR);
- Vale (VALE);
- Gol (GOL);
- Embraer (ERJ);
- Braskem (BAK).
Esses certificados permitem que investidores americanos invistam em empresas brasileiras com facilidade. Ao mesmo tempo, investidores brasileiros conseguem acessar essas ações por meio de plataformas internacionais.
Os ADRs costumam acompanhar o desempenho das ações negociadas no Brasil. Entretanto, variações cambiais entre dólar e real também influenciam seus preços.
Requisitos para listar na bolsa
Não é qualquer empresa que pode listar ações na NYSE. A bolsa impõe critérios rigorosos de entrada e permanência.
A companhia precisa atender a requisitos mínimos de valor de mercado, número de acionistas e nível de lucratividade. Além disso, deve adotar práticas adequadas de governança corporativa.
A empresa também precisa cumprir regras contínuas de divulgação de informações, realizar auditorias independentes e seguir os padrões contábeis americanos (US GAAP).
Essas exigências ajudam a garantir que apenas empresas de determinado porte e qualidade negociem na NYSE, o que aumenta a proteção para os investidores.
NYSE x Nasdaq: qual a diferença?
Estados Unidos tem duas principais bolsas: NYSE e Nasdaq. Ambas são importantes, mas têm diferenças significativas. Veja:
Modelos de negociação diferentes
A principal diferença técnica está no modelo de negociação.
A NYSE opera em um sistema híbrido. Ele combina negociação eletrônica com presença física no pregão, além de leilões estruturados de abertura e fechamento. Cada ação conta com um DMM (Designated Market Maker).
A Nasdaq, por outro lado, é totalmente eletrônica. Não há pregão físico. As negociações acontecem por meio de redes de computadores que conectam compradores e vendedores.
Na Nasdaq, múltiplos market makers competem entre si, em vez de um DMM específico por ação.
Tipos de empresas em cada bolsa
Historicamente, empresas de setores mais tradicionais — como finanças, indústria, varejo e energia — preferem listar ações na NYSE.
Já empresas de tecnologia, como Apple, Microsoft, Amazon, Google (Alphabet), Meta e Tesla, por exemplo, tendem a escolher a Nasdaq.
Essa divisão não é uma regra absoluta, mas é um padrão comum. A NYSE costuma ser vista como mais tradicional, enquanto a Nasdaq é associada à inovação e tecnologia.
Vantagens de cada uma
A NYSE oferece prestígio histórico e grande visibilidade, inclusive com eventos simbólicos como o toque do sino de abertura. Além disso, os DMMs ajudam a suavizar movimentos em momentos de alta volatilidade.
A Nasdaq costuma ter custos mais baixos e um sistema eletrônico mais rápido e eficiente para processar ordens.
Para o investidor comum, porém, a diferença prática é pequena. Você investe em ações das duas bolsas da mesma forma, usando a mesma corretora. No fim das contas, o mais importante é a qualidade das empresas, não a bolsa escolhida.
Índices da NYSE
Dow Jones Industrial Average
O Dow Jones é o índice mais antigo e conhecido dos Estados Unidos, criado em 1896.
Ele acompanha 30 grandes empresas consideradas representativas da economia americana, como Apple, Boeing, Coca-Cola, Goldman Sachs e Nike.
Diferentemente da maioria dos índices, o Dow Jones é ponderado pelo preço das ações. Isso significa que ações mais caras têm maior peso no índice.
Quando os noticiários dizem que “Wall Street subiu” ou “o mercado americano caiu”, frequentemente estão se referindo ao Dow Jones.
NYSE Composite
O NYSE Composite é o índice mais abrangente da bolsa de Nova York. Ele inclui todas as ações ordinárias listadas na NYSE.
O índice é ponderado por capitalização de mercado, o que dá mais peso às empresas maiores.
Apesar de refletir melhor o desempenho geral da NYSE do que o Dow Jones, ele recebe menos atenção da mídia. Ainda assim, é a principal referência para quem quer acompanhar especificamente a bolsa de Nova York.
Outros índices relevantes
A NYSE também mantém índices setoriais, como o NYSE Arca Tech 100 e o NYSE Arca Pharmaceutical Index.
Além disso, existem índices focados em dividendos, empresas de menor capitalização e regiões geográficas específicas.
Esses índices permitem acompanhar segmentos específicos do mercado, não apenas o desempenho geral da bolsa.
Como investir na NYSE do Brasil?

Você não precisa morar nos Estados Unidos nem ter cidadania americana para investir na NYSE. Existem várias alternativas acessíveis a investidores brasileiros:
BDRs (Brazilian Depositary Receipts)
BDRs são certificados negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras, incluindo companhias listadas na NYSE.
Você compra BDRs pela sua corretora brasileira, usando reais, da mesma forma que compra ações locais.
Há BDRs de empresas como Apple, Amazon, Google, Nike e Coca-Cola, por exemplo.
Essa é a forma mais simples de investir em ações americanas, sem enviar dinheiro para o exterior ou abrir conta internacional.
Conta internacional em corretoras
Muitas corretoras brasileiras oferecem plataformas de investimento internacional.
Você abre uma conta no exterior dentro da própria corretora, faz a conversão para dólares e compra ações diretamente na NYSE.
Essa opção dá acesso a todas as ações da bolsa americana, não apenas as que têm BDR. No entanto, envolve mais burocracia e exposição cambial direta.
ETFs de ações americanas
Outra alternativa é investir em ETFs que replicam índices americanos.
No Brasil, existem ETFs como o IVVB11, que acompanha o S&P 500 e é negociado na B3 em reais.
Você também pode comprar ETFs americanos, como SPY, DIA ou VOO, por exemplo, por meio de uma conta internacional. Um único ETF pode dar exposição a centenas de empresas listadas na NYSE.
Fundos de investimento internacional
Fundos de ações internacionais, geridos por instituições brasileiras, também investem em empresas americanas.
Você compra cotas em reais, enquanto o gestor cuida da seleção de ativos, do câmbio e do rebalanceamento da carteira.
É uma alternativa para quem prefere gestão profissional, mas é importante comparar as taxas cobradas antes de investir.
Vantagens de investir em ações da NYSE
Investir na maior bolsa do mundo traz benefícios que vão além dos disponíveis no mercado brasileiro.
Acesso às maiores empresas do mundo
A NYSE concentra empresas globais com receitas bilionárias, atuação internacional e marcas consolidadas.
Ao investir na bolsa americana, você pode se tornar sócio de líderes em seus setores.
Essas empresas costumam ter vantagens competitivas duradouras, forte geração de caixa e histórico consistente de resultados.
Diversificação internacional
Investir apenas no Brasil concentra riscos econômicos, políticos e cambiais.
Ao investir na NYSE, você diversifica geograficamente o seu portfólio. Assim, crises locais tendem a ter impacto menor sobre o patrimônio total.
A diversificação reduz o risco sem necessariamente diminuir o retorno esperado no longo prazo.
Mercado mais maduro e líquido
A NYSE tem mais de 200 anos de história e opera em um ambiente altamente regulado.
A liquidez é elevada. Você consegue comprar e vender ações rapidamente, sem grandes impactos no preço.
Além disso, o mercado americano possui décadas de histórico de retornos reais positivos, acima da inflação, ao longo do tempo.
Exposição ao dólar
Investir em ações americanas também significa ter exposição ao dólar.
Se o real se desvaloriza, seus investimentos em dólar passam a valer mais em reais. Isso funciona como uma proteção natural contra a perda de valor da moeda brasileira.
Custos e impostos para brasileiros
Taxas de corretagem e câmbio
Ao investir por meio de BDRs, você paga a corretagem da B3, que muitas corretoras já oferecem a custo zero.
Em contas internacionais, a corretagem costuma ser baixa ou até inexistente, mas há o custo de conversão cambial.
O spread entre real e dólar varia, geralmente entre 1% e 3%. Além disso, incide IOF de 1,1% sobre o envio de recursos para o exterior.
Imposto de renda sobre ganhos
Ganhos com venda de ações no exterior são tributados em 15% sobre o lucro, independentemente do valor negociado.
Não existe mais isenção mensal para aplicações financeiras no exterior. O investidor deve declarar os ganhos anualmente na DIRPF, realizando o pagamento do imposto de forma centralizada no ajuste anual, não sendo mais necessário o recolhimento mensal.
A responsabilidade é do investidor, já que não há retenção automática.
Declaração no IR brasileiro
Todos os investimentos no exterior precisam ser informados na declaração anual de imposto de renda.
Você deve declarar quantidade, custo de aquisição e valores convertidos para reais na data de 31 de dezembro.
Apesar de parecer complexo, corretoras costumam fornecer relatórios que facilitam o preenchimento.
Imposto sobre herança nos EUA
Investimentos diretos acima de US$ 60 mil nos Estados Unidos podem estar sujeitos ao imposto sobre herança americano, que pode chegar a 40%.
Essa regra não se aplica a BDRs nem a algumas estruturas específicas. Se você pretende investir valores elevados diretamente nos EUA, a orientação de um especialista tributário é recomendada.
Perguntas frequentes
Preciso falar inglês para investir na NYSE?
Não necessariamente. Quem investe via BDRs em corretoras brasileiras faz tudo em português. Em plataformas internacionais, um inglês básico ajuda na navegação, embora muitas tenham interface em português. Para acompanhar notícias, relatórios e falas de executivos, o inglês é útil, mas não é obrigatório para começar.
Qual o investimento mínimo?
Depende do formato. BDRs podem custar menos de R$ 50, e algumas ações americanas valem poucos dólares. É possível começar com valores como R$ 100, R$ 500 ou R$ 1.000. Corretoras internacionais geralmente não exigem valor mínimo por operação, mas custos de transferência tornam aportes maiores mais eficientes.
É seguro investir na NYSE sendo brasileiro?
Sim. A NYSE é regulada pela SEC, com fiscalização rigorosa, e as corretoras que dão acesso operam sob regras dos EUA ou do Brasil, com segregação de ativos e mecanismos de proteção. O risco de mercado existe, mas o risco de fraude ou de perda por falha da corretora é muito baixo em instituições sérias.
Como acompanhar cotações em tempo real?
Sites como Yahoo Finance, Google Finance e MarketWatch oferecem cotações gratuitas com pequeno atraso. Corretoras mostram preços em tempo real para clientes, e aplicativos como Investing.com e TradingView também cumprem esse papel. Para a maioria dos investidores, não há necessidade de pagar por dados profissionais.
A NYSE pode quebrar ou fechar?
A chance é extremamente baixa. A NYSE é lucrativa, bem capitalizada e parte de um grande grupo financeiro, além de já ter atravessado guerras, crises e grandes crashes. Mesmo em um cenário improvável de interrupção, as ações continuam existindo, pois os ativos pertencem às empresas, não à bolsa.
Conclusão
De fato, a NYSE é a maior e mais relevante bolsa de valores do mundo. São mais de dois séculos de história, trilhões em valor de mercado e algumas das empresas mais sólidas e conhecidas do planeta.
O que acontece ali influencia mercados, economias e investidores em todo o mundo.
E o mais importante: investir na NYSE não é algo distante ou exclusivo. Do Brasil, é possível acessar esse mercado de diversas maneiras.
Ao investir na NYSE, você amplia suas possibilidades: diversifica geograficamente, se expõe ao dólar e participa de um mercado maduro, líquido e altamente regulado.
Se você sente que chegou o momento de ter ativos no exterior, a principal bolsa americana pode ser um ótimo primeiro passo para tornar sua estratégia ainda mais rentável.
Veja também: EWZ, o ETF que leva o Brasil para o Wall Street!